Hospital de campanha: repercussão negativa

A instalação do hospital de campanha em Itajaí pelo governo do Estado, que era para ser uma ação positiva dentro da pandemia do coronavírus, ganhou uma repercussão imensa, mas negativa. O processo de licitação, com a contratação do Hospital Espírita Mahatma Gandhi, da cidade de Catanduva (SP), por R$ 76 milhões, está sendo alvo de críticas na Assembleia Legislativa. E até a vice-governadora, Daniela Rheiner, pediu a rescisão do contrato.

Ontem, o Ministério Público de Santa Catarina, por meio de nota, desmentiu o
governo ao afirmar não ter recebido o projeto e nem ter participado de qualquer tomada de decisão sobre a construção do hospital. No fim do dia, o Tribunal de Justiça de Santa voltou a suspender o processo de contratação para a instalação da unidade em Itajaí.

Desde o início, faltou transparência e comunicação por parte do governo do Estado. O governador Carlos Moisés e suas equipes da Secretaria da Saúde e da Defesa Civil teriam que ter apresentado dados, valores, procedimentos antes de os questionamentos começarem a ser feitos.

A “pedra no sapato” do Estado é a comparação de preço com o hospital de campanha que está em construção na cidade de Águas Lindas de Goiás, que custará ao governo federal R$ 10 milhões. As estruturas são distintas, é sabido, mas a discrepância de valores, de R$ 66 milhões, ganhou eco nas
críticas feitas pelos deputados estaduais.

Ontem, Moisés anunciou novas ferramentas de transparência relacionadas à pandemia do novo coronavírus. Na internet, o cidadão saberá como cada item foi adquirido, quais fornecedores foram contratados e o trâmite do processo licitatório. No caso do hospital de campanha de Itajaí, será preciso um esforço bem maior do governo para reverter essa imagem negativa, essa sensação de que algo está errado.

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