Invasões e retrocessos

O documento Dossiê ND, divulgado por ocasião do aniversário da Capital, mostrou uma cidade onde quem invade terras públicas e privadas não é punido e quase sempre consegue permanecer no espaço que invadiu. Um dos grandes problemas estaria na construção de moradias irregulares em áreas de encostas, que ainda podem desbarrancar e provocar tragédias. Outro está no fato de que, com anos e mais anos de negligência, está cada vez mais difícil impedir que as invasões ocorram. O município já tem tantos problemas para resolver, que sua estrutura não permite nem conter as invasões e nem cadastrar novos sem-teto ou encaminhá-los para programas sociais.

Esse é um dos argumentos utilizados pela Justiça para suspender a ordem de desocupação de terreno particular na Caeira do Saco dos Limões, no maciço do Morro da Cruz, onde a invasão já conta com 100 famílias e não para de crescer. Não haveria onde colocar homens, mulheres e crianças e a decisão foi suspensa até julgamento de mérito. Um retrocesso que de novo beneficia quem está burlando a lei. Essa área começou a ser invadida em meados do ano passado e a prefeitura já esteve no local mais de uma vez. Será que não havia um lugar para essas pessoas retornarem? Todas as famílias saíram de algum lugar e muitas delas confirmam que estão ali, “em busca de uma oportunidade de ter um local próprio e não depender de aluguel”.

Já passou da hora de Florianópolis entender que se não lutar contra as invasões, se continuar aceitando esse tipo de atitude, não conseguirá barrar nem a ocupação desordenada nem o domínio de muitos desses pontos pelo crime organizado, como também denunciou o ND. Nossos morros ficarão repletos de submoradias, sem condições de atender os próprios invasores, sem a mínima estrutura pública e cada vez mais veremos nosso verde desaparecer, com pesados prejuízos ao meio ambiente e até na nossa economia. Encarar essa realidade é um desafio que está colocado não só para o poder público e para a Justiça, mas para toda a sociedade organizada.

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