Investigação sem espetáculo

Não há dúvida quanto a seriedade das investigações da Polícia Federal, nem dos julgamentos e decisões da Justiça. Mas no mundo da informação em tempo real e das redes sociais, onde se opina e se compartilha tudo, na maioria das vezes no embalo da maioria ou no calor do momento, é justo fazer uso do instrumento de uma prisão temporária de uma pessoa pública, que jamais deixaria de atender um pedido para prestar um depoimento? Mesmo liberado na noite de terça-feira, após prestar depoimento, mostrar fatos e defender que não tem envolvimento com a Operação Chabu, o prefeito da Capital, Gean Loureiro (Sem partido), teve a imagem duramente prejudicada.

A atitude da Polícia Federal e da Justiça Federal ao lançarem mão da prisão temporária, ao invés de uma convocação para depoimento, pode prejudicar não só a carreira política do prefeito, exigindo dele um grande esforço para esclarecer os fatos e recuperar seu patrimônio político, mas até mesmo parte dos projetos em andamento na prefeitura e a própria cidade.

Casos como este funcionam como um verdadeiro freio de mão sobre as estruturas públicas. É fato que o brasileiro quer o Brasil passado a limpo. Quer ver o fim dos malfeitos na gestão pública. Apoia as ações da Polícia Federal. Portanto, são desnecessárias atitudes que amplifiquem o alcance midiático das operações. O instrumento da prisão, mesmo que temporária, é um duro golpe para qualquer cidadão.

E mesmo quando ela não se confirma, o simples envolvimento de qualquer pessoa já provoca um julgamento pela opinião pública. Por isso, a prisão temporária, que substituiu a condução coercitiva nas práticas investigativas, deve ser usada à letra da lei, quando realmente houver necessidade, avaliadas as implicações de cada caso e cada alvo. Ou teremos mais casos como o do prefeito Gean, que implicam em danos a reputações e até mesmo como o reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, ainda mais graves.

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