Lagoa da Conceição: o futuro em xeque

Desde o final de janeiro, quando o maior desastre ambiental de Florianópolis mudou o cenário na Avenida das Rendeiras e atingiu em cheio os moradores da servidão Manoel Luiz Duarte, comunidade, especialistas e poder público discutem o futuro da bacia hidrográfica da Lagoa da Conceição.

Mais do que tratar das medidas compensatórias aos atingidos e mitigadoras dos danos ambientais imediatos, absolutamente relevantes e urgentes, o desafio é discutir ações que garantam a sustentabilidade do ecossistema.

Em primeiro lugar, portanto, se impõe a necessidade de uma ampla força-tarefa, com envolvimento de órgãos públicos de várias esferas e movimentos da sociedade civil de diversas matizes ideológicas e políticas.

Estudo técnico que acaba de ser entregue à prefeitura pela Acif (Associação Empresarial de Florianópolis) aponta caminhos que podem nortear a recuperação da Lagoa.

Com base no diagnóstico sobre a grave situação de um dos principais patrimônios naturais da cidade, sugere intervenções pontuais e emergenciais de olho em resultados concretos a curto prazo.

Algumas consideradas controversas, como a recomendação de desassoreamento do canal da Barra da Lagoa com o objetivo de garantir a oxigenação da água afetada pela poluição – rechaçada por alguns especialistas. Há quem sustente que o procedimento pode ter efeito inverso e “decretar” a morte da bacia. A complexidade do tema reforça a necessidade de diálogo constante e transparente entre todos os atores envolvidos.

O rompimento da lagoa de infiltração da Casan leva ainda a um debate urgente sobre a reavaliação do zoneamento e monitoramento permanente e rigoroso para conter a ocupação urbana desordenada, uma das causas da degradação ambiental que vem ameaçando a Lagoa ao longo dos últimos anos.

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