Máscara: ainda há alguma dúvida?

Um homem na lotérica sem máscara. Ciente de que precisava do acessório de proteção para ser atendido, ele aborda um cliente que acabou de ser atendido, praticamente arranca a máscara do rosto do homem e a coloca em seu rosto.

Uma funcionária tenta interferir, mas ele reage com grosseria. A situação foi flagrada por câmeras de vídeo em uma lotérica de Divinópolis (MG) e viralizou na internet no fim de semana. Infelizmente, a absurda situação não é só “privilégio” da cidade mineira.

A rebeldia de senhores bem mais do que maduros resistindo ao uso da máscara, o acessório que pode ajudar a evitar a contaminação pelo coronavírus, já ficou bem conhecida quando o desembargador Eduardo Siqueira usou o ultrapassado “sabe com quem está falando?” para afrontar guardas municipais que o abordaram sem máscara em Santos (SP).

O mês de março deve entrar para a história como um dos mais marcantes da pandemia no Brasil. Em 2020, foi quando começaram a ser registrados os primeiros casos, as primeiras mortes e os primeiros decretos. Neste ano, são os recordes de casos e mortes a dominar as manchetes.

Na sexta-feira passada, o governo catarinense publicou decreto que estabelece multa de R$ 500 para quem não usar máscaras em espaços públicos. Para os reincidentes, o valor dobra. A medida já era prevista em legislação federal e agora fica regulamentada em Santa Catarina.

Em um ano tão diferente, onde todos precisaram adaptar sua vida a uma nova realidade, e o uso de máscaras – aquela situação estranha que antes a gente só via em reportagens sobre surtos de gripe ou casos de poluição do outro lado do mundo – chegou para ficar.

Então, fica o questionamento. Será que depois de um ano de pandemia, com quase 300 mil mortes no país, al-guém ainda resiste ao uso da máscara apenas como símbolo de rebeldia e desrespeito a sua vida e à vida alheia?

É muito difícil evoluirmos a discussão em torno das medidas acertadas de combate à pandemia ou sobre a qualidade e o nível de segurança da máscara quando ainda é preciso orientar as pessoas sobre seu uso.

Ela não deve ser usada apenas porque é obrigatória, muito menos no queixo ou compartilhada, mas sim porque diminui a probabilidade de contágio pelo nariz e pela boca, prevenindo a possibilidade de quem a usa se contagiar ou contagiar outra pessoa.

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