Memória, arte e cor no Centro

Uma cidade é feita para as pessoas que nela vivem e não faltam bem-sucedidos exemplos de capitais no mundo que passaram por grandes transformações para valorizar espaços de convivência e de valorização das culturas locais. Essa ideia está presente em muitos debates sobre o futuro que se pretende em aglomerações urbanas onde reinam o concreto de prédios e o trânsito já sem espaço para tantos veículos. Florianópolis percebe que é possível tornar mais humanizadas realidades como essa. As pinturas gigantes de fachadas de prédios feitas por artistas locais, como as que homenageiam Antonieta de Barros, Franklin Cascaes e Cruz e Sousa, e outras, de tamanho nem tão grandioso mas não menos importantes, dão colorido ao cinza urbano. Elas dizem sobre pessoas, personagens e histórias.

Ao incentivar obras de arte como essas, que encantam em capitais como São Paulo e Belo Horizonte, apenas para citar dois exemplos, poder público e iniciativa privada estarão valorizando os artistas. E, mais do que isso, ajudando a conectar habitantes à cultura local, tão rica em fatos, em crenças e costumes – a renda de bilro, as bruxas, os pescadores, as igrejas feitas por escravos, a chegada dos primeiros açorianos…

Os murais têm muito a ensinar às crianças das escolas, aos tantos visitantes que a cidade acolhe todos os dias, aos novos moradores que abraça… São iniciativas que podem fazer de Florianópolis uma capital conhecida não só pela natureza e praias exuberantes e como polo tecnológico dos mais importantes do País – o que certamente enche de orgulho, isso é inquestionável – mas também pela cidade que valoriza a cultura, cria diferenciais e, como escreveu Antonieta e consta no mural em homenagem a ela, traz um “colorido do bem”.

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