Momento para refletir

A morte do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, pegou Florianópolis e o Estado de surpresa nesta segunda-feira. Um dos mais jovens professores conduzidos ao cargo na história de 57 anos da instituição, ele atuou no jornalismo antes de investir na carreira acadêmica, formar-se em Direito e galgar posições importantes dentro do Centro de Ciências Jurídicas da UFSC. A universidade que abriu-lhe portas e oportunidades de ascensão foi também, na insanidade de suas engrenagens, a que levou-o a abrir mão da vida, num momento particularmente duro para o reitor empossado em 2016.

A reação extrema teria relação com a prisão realizada em 14 de setembro como parte da operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que investigava a denúncia de desvios de recursos de programas da Universidade Aberta do Brasil voltados para o ensino a distância. Acusado de não ter tomado providências enquanto as apurações eram feitas, o reitor recebeu tratamento análogo ao dos suspeitos e foi apontado como corresponsável pelos desvios, que mereceram destaque na mídia local e nacional antes que qualquer prova concreta fosse apresentada.

A morte do reitor não o isenta de culpa, caso ela exista, mas joga sobre o desfecho do episódio a necessidade de reflexão acerca da espetacularização de operações antes do julgamento das denúncias que lhe deram causa. Essa prática, aliás, tem se multiplicado no país com uma assiduidade assustadora, jogando na lama, muitas vezes de forma injusta, o nome e o conceito de pessoas probas. O poder dado aos investigadores e as medidas que vêm tomando levam à ideia de que se está fazendo justiça, quando, em inúmeros casos, o que ocorre é uma perigosa inversão dos ritos legais, que condena ao opróbrio público quem ainda não tem culpa consolidada.

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