Mudança na Petrobras

O anúncio da mudança no comando da Petrobras, feito pelo presidente Jair Bolsonaro no fim de semana, provocou um enorme tombo da estatal no mercado financeiro. Até a manhã de ontem, a Petrobras havia perdido R$ 72 bilhões em valor de mercado em pouco mais de uma hora de pregão da bolsa de valores.

De um lado está o chefe da Nação, cobrando transparência e previsibilidade da companhia. Do outro lado, a segunda maior empresa do Brasil em receita que conseguiu se reerguer após os escândalos que vieram à tona no governo de Dilma Rousseff.

A recuperação da Petrobras só foi possível com a indicação de pessoas sérias e competentes para os cargos de direção após o impeachment da ex-presidente da República. E que continuou no governo Bolsonaro. Agora, o momento é delicado para uma mudança na gestão. Mas Bolsonaro quer alguém da sua confiança à frente da Petrobras.

O Brasil vive um dos períodos mais críticos na questão dos combustíveis, com seguidos reajustes baseados no alinhamento de preços internacionais. O preço do litro da gasolina já passa de R$ 5 em muitas cidades. Os caminhoneiros deram sinais de que o aumento do diesel pode significar uma nova paralisação da categoria.

Bolsonaro indicou o general Joaquim Silva e Luna para assumir o posto de Roberto Castello Branco. Luna estava à frente da Itaipu Binacional desde 26 de fevereiro de 2019.

A decisão da presidência da República reverberou entre economistas e políticos. Muitas críticas ganharam as primeiras páginas dos jornais e viraram destaques em sites e telejornais. Mas Bolsonaro manteve-se firme em sua deliberação.

Ontem, ele ressaltou que o contrato de Castello Branco como presidente da estatal acaba no dia 20 de março e avisou: “É direito meu reconduzi-lo ou não. Ele não será reconduzido, qual o problema?”

A decisão do governo não tem volta. É fato. Espera-se que o novo comandante da Petrobras consiga frear os reajustes, pois o Brasil precisa de combustíveis com preços mais baixos para ajudar e impulsionar a retomada econômica.

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