Não é oportuno?

A aprovação pela continuidade do processo de impeachment do governador Carlos Moisés e da vice Daniela Reinehr, na Assembleia Legislativa, provocou uma reação de várias entidades de classe empresariais catarinenses que consideram o possível afastamento inapropriado, inoportuno e prejudicial para a retomada da economia.

Claro que é inoportuno, porque cria dificuldades e afeta a credibilidade de um Estado considerado de excelência. Mas cabe a pergunta: quando seria então oportuno? Quando a economia estivesse forte, quando as empresas estivessem em pleno emprego, faturando alto, longe da crise do coronavírus?

Mais uma vez, as entidades pensaram pequeno, mostraram uma visão curta do que está acontecendo, revelaram uma preocupação maior com interesses dos seus setores, com seu umbigo, faltando espírito público. Não defendem os interesses da sociedade, não têm uma visão mais abrangente e voltada para Santa Catarina, embora seja legítimo defender causas próprias, mas a questão aqui é muito maior.

O governador e a vice estão sendo denunciados por crime de responsabilidade por terem autorizado a equiparação salarial entre os procuradores do Estado e da Alesc, dentro de um processo legítimo. Se serão cassados ou não, a decisão é de quem vai julgar.

Virar as costas para esta situação é desprezar todo o trabalho de feito pelo Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas e o próprio parlamento. Entidades também têm a responsabilidade e deveriam se envolver com as grandes questões que envolvem nosso Estado.

Mais uma vez, a classe empresarial perdeu a oportunidade de ficar em silêncio. É o momento de olhar o Estado e enfrentar essas dificuldades, não é hora de pensar apenas nas vantagens ou desvantagens econômicas que afetariam os empresários. Não se trata de o impeachment ser inoportuno ou não, porque faz parte do processo democrático.

Oportuno seria se as entidades empresariais catarinenses defendessem a transparência, a boa gestão pública e apoiassem a apuração da verdade em torno dos eventuais erros administrativos de Carlos Moisés. Estariam desta forma em sintonia com a sociedade e com os anseios de todos os catarinenses.

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