Nossa reverência

Mais de um ano depois do início da pandemia, todos, em maior ou menor grau sentem no físico e no emocional a carga trazida pelo vírus altamente contagioso, que mudou para sempre a história da humanidade, nos arrancou da rotina e nos tirou do lugar comum para nos colocar em um patamar de fragilidade e mortalidade nunca vistos.

Nesta verdadeira rede global onde todo mundo se sente como bem descreve aquele ditado, “de médico e louco todo mundo tem um pouco”, para enfatizar os contrastes entre o lado racional e o irracional que habita em cada um, uma categoria de trabalhadores em especial enfrenta à exaustão aquele que é considerado no momento o trabalho mais perigoso: atuar no atendimento às vítimas do coronavírus.

E não é exagero dizer que eles estão na linha de frente nesta guerra. Uma guerra com muitas baixas. Lamentavelmente, levantamentos feitos junto a entidades representativas dos profissionais de diferentes categorias relacionadas à saúde apontam que o Brasil responde por mais de um terço das mortes de profissionais da saúde de todo o mundo durante a pandemia.

No Brasil, levantamento da Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), feito com os cartórios de registro civil, apontava no início de abril que desde o começo da pandemia, 5.798 profissionais de saúde haviam morrido, com projeções indicando que até o fim do ano serão 8 mil.

Em todo o mundo, até o início de março foram registradas 17 mil mortes de profissionais da área.Segundo o Portal da Transparência do Registro Civil, nem todos morreram diretamente por terem contraído Covid-19, mas de causas associadas à doença, como os efeitos do estresse.

Em Santa Catarina, levantamento das entidades representativas dos profissionais aponta 68 mortes atribuídas à Covid. São trabalhadores de todo o mundo que colocam suas vidas em risco para tentar manter as pessoas protegidas, mas muitos foram deixados desprotegidos e pagaram o preço mais elevado.

Pesquisa feita recentemente com os profissionais da saúde, pela Fundação Getúlio Vargas, revela que 70% deles ainda não se sentem preparados para lidar com a pandemia e 80% sentem impactos negativos na saúde mental.

Por isso, o Dia Mundial do Profissional de Saúde, comemorado hoje, ganha ainda mais importância. Além de equipamentos de segurança e de qualidade para que possam executar suas funções, eles merecem apoio emocional, remuneração justa e, sobretudo, reconhecimento e respeito.

E o Grupo ND não poderia deixar de homenagear esses heróis. Além de um vídeo exibido na programação da emissora, confira reportagem especial que será exibida hoje no Balanço Geral, no portal ND+ e nas páginas 3, 4 e 6 aqui no ND.

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