O Brasil refém das reformas

O anúncio do fechamento de três fábricas da Ford no Brasil, ainda que não represente reflexos pesados, num primeiro momento, na economia de Santa Catarina, acende a luz de alerta para a necessidade urgente de o Brasil avançar na sua agenda de reformas.

Reconhecida pela qualidade, a indústria catarinense é tradicional fornecedora de peças para a cadeia automotiva nacional. Tupy, com blocos de motores; Fremax, com sistemas de freio; Hengst, com filtros; e principalmente o núcleo de ferramentarias existente em Joinville figuram entre os principais fornecedores para o setor.

Para se ter uma ideia da importância dos negócios com as montadoras , o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer), Christian Dihlmann, calcula que 60% dos serviços prestados pelas ferramentarias da região são direcionados a montadoras. Menos mal, que, segundo ele, cerca de apenas 4% seriam destinados à Ford.

O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, lamenta o fechamento das fábricas da Ford, mas diz que as indústrias de autopeças catarinenses não devem ser muito impactadas. Ele se mostra preocupado, no entanto, com o chamado “Custo Brasil”. E lembra que a Fiesc e suas congêneres, há muito tempo vêm cobrando a realização das reformas necessárias para destravar a economia do país.

Para se ter uma ideia da necessidade de mudanças, segundo a Anfavea, a associação nacional de fabricantes de veículos, o Brasil tem a maior carga tributária sobre automóveis no preço final ao consumidor do mundo: 30,4%. Na Itália, 18%; na Alemanha, 16%; no Japão, 9,9% e, no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, 6,8%.

Tamanha discrepância ajuda a explicar porque a Ford decidiu fechar as fábricas no Brasil. E, mais do que isso, reforça a necessidade de Brasília aprovar, o mais rápido possível, reformas como a administrativa e, principalmente, a tributária, para que o País possa voltar a sonhar com dias melhores.

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