O câncer da sociedade

“Não conheço um perfil mais ‘de família’ do que aquele que vi hoje. Aquela coisa de família de ‘comercial de margarina’”, surpreende-se o delegado Gustavo Kremer, da 6ª DPCAMI (Delegacia de Polícia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) da Capital, durante operação que prendeu ontem dois suspeitos de pornografia infantojuvenil. E o delegado está correto.

O fato é que o monstro nem sempre tem uma face tão repugnante quanto sua alma e seus atos. Nem sempre é fácil identificar um suspeito de crime qualquer, ainda mais Nos casos de pornografia infantil. Além de se passarem por pessoas ilibadas, os criminosos ainda contam com o anonimato, porque as vítimas, por medo ou mesmo incompreensão do que estão passando, não os denunciam.

Algumas nem sabem que foram vítimas de um crime, pois tiveram suas imagens roubadas e disseminadas. E os monstros que atormentam crianças e adolescentes, tiram seu sono e marcam para sempre suas vidas, movimentam um mercado paralelo de exploração sexual e de uso de imagens na chamada dark web, onde proliferam sites com serviços ilegais e fóruns de discussão de assuntos escusos.

Eles são pessoas altamente esclarecidas, que ocupam boa posição social e têm famílias harmônicas que muitas vezes desconhecem sua face criminosa.

Uma das maiores dificuldades em chegar a eles é justamente pelo fato de que este tipo de crime é praticado normalmente dentro de casa. São pais, avôs, tios, primos, padrastos e até mesmo mãe violentando suas crianças, as comercializando como objetos, em troca de satisfazer suas necessidades doentias.

E no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, transcorrido ontem, data que faz referência ao desaparecimento da menina Araceli, há exatos 48 anos, o que mais se lamenta é que o crime de exploração sexual infantil, seja ela física ou virtual, se perpetue como um câncer em meio à sociedade.

A pequena Araceli desapareceu em Vitória (ES), e só foi encontrada seis dias depois. Espancada, estuprada, drogada e morta. Seu corpo foi desfigurado com ácido.

Os suspeitos foram absolvidos e o crime, arquivado. A data do assassinato ficou marcada e, no ano 2000, foi instituído o dia que lembramos ontem. E para que as Aracelis parem de sofrer, é importante denunciar casos suspeitos e cobrar das autoridades ações efetivas.

A Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, do governo federal, atualizou cartilha com informações sobre abuso sexual. Nela constam os conceitos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, mitos e verdades sobre esses crimes, métodos do agressor e perfil das vítimas.

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