O desnecessário fundo eleitoral

O dinheiro disponível para os partidos políticos realizarem a campanha eleitoral no ano que vem, quando serão escolhidos os novos prefeitos e vereadores, deve ficar próximo dos R$ 1,8 bilhões, R$ 100 milhões a mais que na eleição passada. O valor foi definido pelo Ministério da Economia, mas não coloca fim à sanha de determinadas lideranças partidárias, que ainda sonham com uma verba na casa de R$ 3 bilhões e já conseguiram inclusive trazer de volta a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que estava extinta desde 2018. Até o final deste ano, sonham elevar as verbas para a casa dos R$ 2 bilhões, mesmo que estejam cansados de saber e falar sobre a escassez de recursos nos cofres da União e a grande quantidade de despesas públicas obrigatórias. O projeto aprovado pela Câmara na terça-feira retira a previsão de o fundo ser abastecido com 30% das emendas de bancada e abre margem para novo percentual. O famoso jeitinho para elevar os gastos. A insistência de determinados caciques partidários com o aumento e a manutenção do uso de verbas públicas para se fazer campanha só contribui para enlamear a já contestada imagem da política e do Congresso Nacional perante à opinião pública. Isso mesmo diante de muitos esforços de expoentes parlamentares, inclusive a bancada catarinense, que se posicionou em reportagem do ND contra a elevação desses recursos. A cada atitude como esta, fica mais difícil a população acreditar numa mudança de conceito e “modus operandi” da classe política brasileira. O caminho que deveria estar sendo discutido, junto das demais reformas em curso no país, é o da construção de modelo sem a oferta de dinheiro público e com redução também das despesas de campanha, para que as candidaturas fossem custeadas por seus apoiadores, por quem realmente acredita em determinado candidato. A eleição passada provou que é possível uma eleição sem o gasto de grandes somas em dinheiro e com a realização de campanhas alternativas, mobilizando pessoas com pensamentos semelhantes. Para passar a limpo a política do Brasil, não há dúvidas de que é necessário acabar com as velhas práticas, especialmente as benesses públicas, como a oferta de dinheiro em volumes que poderiam estar sendo usados nas grandes necessidades do país, como segurança, saúde e educação.

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