O exemplo que não pode ser esquecido

Com frequência, o Estado de Santa Catarina é apontado como uma terra abençoada. E não há dúvidas de que o é, não só pela privilegiada natureza, mas pelo histórico de força e superação de seu povo.

A história sempre apontou duas figuras femininas fortes como inspiração para o nome. E ambas nos convidam a viagens ao passado. Uma delas à cidade de Alexandria, no delta do rio Nilo, no Egito.

Desde que o navegador veneziano Sebastião Caboto deu à ilha onde fica Florianópolis o nome da santa egípcia, na primei-ra metade do século 16, existe um vínculo histórico e religioso entre estes dois pontos distantes do mapa.

A dúvida que torna esta história mais emocionante é o fato de que a própria mulher de Caboto se chamava Catarina. Então, quem o navegador queria homenagear realmente? Os historiadores preferem apostar na versão que é a Santa Catarina de Alexandria.

Coincidentemente, o dia 25 de novembro, hoje marcado pelo Dia Mundial da Não Violência Contra a Mulher, também marca a passagem do Dia de Santa Catarina, a jovem nobre e pagã que aderiu ao cristianismo na adolescência, defendeu a nova religião com sabedoria e obstinação e foi morta pelo imperador Maximino, inconformado com sua influência sobre o império romano.

Lá se vão mais de 1.700 anos do assassinato da virgem perseguida por suas convicções religiosas e que hoje tornou-se reverenciada em praticamente todos os continentes.

Nas páginas 4 e 5 desta edição, reportagem especial baseada no livro “Santa Catarina de Alexandria – A origem, o mosteiro e a padroeira”, do jornalista Moacir Pereira, que integrou comitiva de catarinenses que visitou o mosteiro de Santa Catarina e o deserto do Sinai no ano 2000, busca resgatar a história da jovem que se tornou padroeira dos estudantes, filósofos e professores – e do nosso Estado. Sua jornada de fé é considerada o melhor exemplo para aqueles que questionam a veracidade dos textos bíblicos.

Estabelecer este paralelo entre a heróica vida da padroeira catarinense, que não teve dúvidas em dar as costas ao poder em nome de sua fé maior, e que morreu no dia em que hoje se dá visibilidade ao fim da violência contra a mulher, é mais do que oportuno e convida a uma reflexão nestes tempos em que a intolerância quer se sobrepor à razão.

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