O futuro da Lagoa

Uma semana depois do desastre ambiental na Lagoa da Conceição, a população de Florianópolis ainda discute as causas do rompimento da estrutura da Casan, a possibilidade de negligência oficial e a questão do apoio aos atingidos. O triste episódio leva, no entanto, a uma reflexão sobre o futuro de nossas riquezas e qual cidade queremos construir para os próximos anos e futuras gerações.

Há uma demanda urgente para recuperação do ecossistema no entorno da Avenida das Rendeiras, afetado por conta dos dejetos que acabaram sendo lançados na água, mas a preservação sustentável deve ser incorporada à pauta de quem tem o poder na caneta. Sob pena de destruição progressiva dos recursos naturais que notabilizaram a Capital catarinense como uma atração paradisíaca nacional e até internacional.

Passado o choque inicial, e tomadas as medidas emergenciais, o “mutirão” para salvar a Lagoa – abraçada de forma simbólica pela comunidade na segunda-feira (1) – deve ser permanente.

O choque de realidade só vai funcionar se envolver, de forma coesa, órgãos públicos de todas as esferas, sociedade civil organizada e, é claro, pesquisadores das instituições universitárias instaladas na cidade. A agressão a um dos principais cartões-postais da cidade pode ser um marco importante para que a cidade acorde e, com isso, a Lagoa seja tratada como efetivamente merece.

Antes mesmo do lamentável acidente, que deve ser apurado com absoluto rigor e esclarecido pelas autoridades, a saúde da Lagoa já estava com problemas. A força-tarefa defendida aqui deverá ter a função de focar na despoluição total da orla das Rendeiras. O objetivo? Fazer com que ela volte a ser límpida, própria para banho e que recupere na íntegra sua característica acolhedora a nativos e visitantes.

+

Editoriais