O protesto devia ser na reitoria

É justo quanto milhares de estudantes se unem para pedir uma educação de qualidade. E toda a sociedade apoiaria não fosse o momento que vive o país, a realidade da falta de dinheiro e a situação administrativa de boa parte das instituições de ensino. É ainda menos simpático, um movimento que vem para a rua tumultuar a realidade de uma cidade como Florianópolis, que já tem o pior trânsito do país, embalado e organizado por partidos políticos de esquerda, contrários à faxina que hoje é necessária nas contas públicas.

Essa manifestação deveria era acontecer na porta da reitoria, exigindo melhor gestão dos recursos que a instituição recebe. E acontece tarde, pois os problemas existem há muito tempo e a instituição não tem sido transparente com a sociedade. Não divulga, nem fala que seu problema é o mesmo de toda repartição pública, que precisa de fato de um novo modelo de gestão. Os números não mentem. Segundo o orçamento de 2018, por exemplo, que está no Portal de Transparência do governo federal, aquele que a maioria da população não entende, 40,7% dos estimados R$ 1,73 bilhão (dinheiro suficiente para tocar uma cidade) serve para gastos com salários dos 6 mil servidores e 29,1% vão direto para Previdência, que boa parte da comunidade acadêmica também não quer reformar – acha que não precisa.

O corte de R$ 60 milhões, na verdade o contingenciamento anunciado pelo governo, que não significa que o dinheiro não virá, atinge especificamente o custeio da universidade. Ou seja: água, luz, telefone, combustível, serviços em geral. O gasto com isso, no ano passado, foi de R$ 327 milhões. Será mesmo que não dava para fazer um plano, desde a crise, em 2014, e economizar? Será mesmo que um corte como esse “acaba com a educação superior”? Certo está o presidente Bolsonaro ao declarar que os estudantes estão sendo usados pela oposição.

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