O Rio de Janeiro não é aqui

Florianópolis tem 68 comunidades criadas a partir de alguma irregularidade, onde 20 mil pessoas moram em áreas de médio e alto risco. Para fiscalizar e monitorar essas áreas irregulares na Ilha, o município conta com apenas 13 fiscais. Essas informações fazem parte do extenso material produzido pelo Grupo RIC, publicado nesta edição. O assunto é uma das bandeiras deste grupo de comunicação, que há anos vem denunciando e expondo o problema. Florianópolis segue o mesmo roteiro do Rio de Janeiro e, com a favelização, caminha para ter boa parte de seus morros e áreas irregulares ou invadidas dominadas pelo crime organizado. Não é de hoje que a capital catarinense vem sendo acometida por invasões, especialmente em locais íngremes e de risco, muitas vezes, no passado, com a tolerância das instituições públicas. Mais recente, prefeitura e Ministério Público de Santa Catarina começaram um trabalho mais intenso de fiscalização e combate às construções irregulares. Áreas são monitoradas por drone e, quando constatada a invasão, imóveis são demolidos. Como capital e destino de investimentos de fora, presente sempre na mídia pela qualidade de vida que ostenta, Florianópolis atrai naturalmente famílias de outras partes do Estado e do país. Mal orientadas ou por falta de perspectivas, muitas acabam indo morar em locais de risco ou em áreas invadidas. A pressão da sociedade precisa ser permanente, até que a propriedade privada seja respeitada e a urbanização da cidade seja plena, evitando que áreas de interesse social ou de preservação permanente sejam ocupadas irregularmente.

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