O viciado e o receptador

Reincidente, capturado pelos seguranças do Hospital Regional, furtando os mesmos canos de cobre que havia retirado na madrugada anterior e que haviam sido repostos pela instituição. O que deveria ser feito com ele? Uma decisão foi tomada: devolve-lo às ruas. Alguém tem dúvida de que os seguranças correm o risco de encontrá-lo novamente debaixo do hospital? E quanto ao receptador da primeira encomenda? O que será feito com ele?

O caso chamou atenção porque o furto paralisou o sistema de oxigênio do hospital, podendo colocar em risco vidas humanas. Mas quantos outros furtos de cabos e condutores em geral estão acontecendo, todos os dias, para sustentar o vício de dependentes químicos? Dias atrás, um semáforo em uma rua movimentada da Capital também parou pelo menos motivo: o cabeamento havia sido removido.

Há dois caminhos para bater de frente com essa situação e não passar mais pelo ridículo de ver ruas sem iluminação por conta de cabos roubados ou vidas em risco por causa dos canos que levavam oxigênio para os quartos a um hospital. O primeiro deles é um amplo trabalho de investigação para identificar e processar o receptador, acabando com o mercado clandestino de fios e canos em cobre. Sem receptação não haverá motivo para roubar. O segundo caminho passa por uma política diferenciada em relação a reincidência, mesmo que sejam crimes de menor impacto, como o furto. Instituições que tratem os dependentes químicos envolvidos em furtos e outros crimes por decisão judicial e com privação da liberdade também seriam bem-vindas.

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