Onda que não passa

Nunca é demais destacar que para que os resultados apareçam e o vírus desapareça, é necessário a colaboração de todos os cidadãos.”

O verão foi determinante para a segunda onda da Covid-19 no Brasil, bem como as mutações do vírus transmissor da doença, que são parte da evolução natural das epidemias virais, tornando-as cada vez mais contagiosas. Estado sempre apontado como referência quando os números se referem aos indicadores econômicos, Santa Catarina amarga agora uma situação nem tão privilegiada em relação aos números da pandemia.

Apesar de o Estado tem a menor taxa de letalidade do país e o governo enfatizar destaque entre outros Estados brasileiros como a melhor gestão em relação ao coronavírus, nada disso foi suficiente para que a crise se instalasse em várias regiões metropolitanas.

Os olhos dos especialistas em saúde e gestores se voltaram para a maior cidade do Oeste, Chapecó, onde o colapso obrigou o governo a tomar medidas mais efetivas, anunciando a abertura de novos leitos. Mas a solução não é tão simples assim. Por trás de cada leito de UTI anunciado está uma rede de profissionais de saúde que precisa estar a postos para o atendimento deste público. Felizmente, algumas contratações foram confirmadas.

As regiões de Joinville, no Nordeste catarinense, e a Grande Florianópolis também sofrem com a escassez de leitos. Joinville, a cidade mais populosa do Estado e líder de casos e mortes, está com 95% dos leitos de hospitais públicos lotados, segundo reportagem do Grupo ND. No Hospital Bethesda, a lotação chegou a 100%.

Em Florianópolis, a situação não é diferente. Com 1.400 infectados ativos, e 94,04% dos leitos de UTI ocupados, o prefeito Gean Loureiro lembrou em rede social que a decisão de abrir novos leitos pode salvar vidas, mas cria também uma insegurança jurídica, tal a burocracia que cerca estas decisões. Diz que vai arriscar.

Por isso, nunca é demais destacar que para que os resultados apareçam e o vírus desapareça, é necessário a colaboração de todos os cidadãos no respeito às regras impostas em nome da saúde, porque nem mesmo a vacinação, tida como uma esperança de retomada, vai chegar a todos ainda neste ano. Perspectiva anunciada ontem pelo governo estadual é de que em torno de 40% da população, um total de 2.898.763 pessoas, todas dos grupos prioritários, sejam vacinadas neste ano.

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