Os cuidados são contínuos

O drama de ser infectado pelo vírus invisível pode se transformar em alívio depois de dias ou semanas. Cada anúncio que uma pessoa está recuperada do novo coronavírus, além de ser uma vitória pessoal, é uma esperança de que mais e mais infectados possam se curar. Em Florianópolis, uma das primeiras cidades do país a adotar medidas restritivas, é alto o índice de pessoas curadas da Covid-19. Das 374 pessoas confirmadas com a doença até ontem, 259 estão curadas.

O número positivo não significa que vencemos o vírus, precisamos seguir com as ações de prevenção, como o uso de máscaras, o cuidado com a higiene pessoal e o isolamento social para quem é do grupo de risco. Não podemos nos descuidar. Ontem, na Capital, as praias estavam lotadas e muita gente foi para a Beira-Mar Norte se exercitar ou passear. A grande maioria das pessoas não usava máscaras.

No mundo, dos 2.956.073 de infectados, 861.590 conseguiram se recuperar. Mas quem está recuperado não tem a certeza de que está imune. Na sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que “não há evidências” de que as pessoas já recuperadas da Covid-19 desenvolvam anticorpos e, portanto, estejam protegidas contra uma segunda infecção do vírus.

A divulgação da nota da OMS é uma forma de alerta aos governos que preparam a emissão de “passaportes de imunidade” ou “certificados sem risco” para pessoas que foram infectadas. A organização defende que, neste momento, sua precisão não poderia ser garantida.

A adoção da imunidade, por outro lado, poderia aumentar os riscos de propagação contínua, já que as pessoas supostamente imunizadas podem ignorar as orientações de higiene e a etiqueta respiratória, fundamentais para barrar a propagação da doença. Cada pessoa recuperada é uma batalha vencida. Mas a guerra ainda está longe de terminar.

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