Os últimos pescadores

A profissão de pescador é uma das que mais se identifica com a história do litoral catarinense e da Ilha de Santa Catarina. Mas andando pelas praias nessas semanas que antecedem o começo da pesca mais tradicional do Estado, a da tainha, fica claro o quanto está difícil ser pescador ou decidir ser pescador. A profissão, que por décadas sustentou milhares de famílias, está sendo sufocada, de um lado pela grande quantidade de opções oferecidas aos filhos dos pescadores, e de outro pelos constantes regramentos, pela burocracia ou pela indefinição das regras. Na pesca da tainha, a discussão se arrasta há anos, sem que uma política definitiva, clara e de estado se firme. Uma política que preserve os estoques do pescado e ao mesmo tempo permita a produção em quantidade suficiente para sustentar o pescador.

Na beira da praia, a expectativa de rede cheia anima, junto com a saudade e as boas histórias. A falta de gente capacitada para tecer a rede ou arrumar um barco preocupa e entristece. O pescador está cada dia mais sozinho e sem forças para reagir, fazer pressão, lutar pelos seus direitos. Vê a missão de contribuir com a alimentação da população como algo cada dia mais distante. Pensa apenas em sobreviver.

É um contrassenso, pois há dez anos a ONU (Organização das Nações Unidas) diz que em 2030 vai faltar proteína animal no mundo se o Brasil não fizer a sua parte e não contribuir com a produção de pescado de forma efetiva. São 8 mil quilômetros de costa e uma produção, tanto de captura quanto de cultivo, considerada aquém do nosso potencial – 1,2 bilhão de toneladas. Mas como aproveitar nosso imenso litoral e nossas águas interiores sem envolver esses homens das praias ou formar novos pescadores/produtores de pescado? O retrato da pesca está na nossa reportagem de hoje. Quando os homens do mar se aposentarem, ninguém os substituirá.

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