Para superar o luto

Compadecer-se com o sofrimento alheio, ter a sensibilidade de compreender e tentar amenizar a dor do outro e, sobretudo, estender a mão é, sem dúvida alguma, um ato louvável. Ainda mais neste momento de incertezas provocado pela pandemia e, mais recentemente, em Santa Catarina pela chacina de Saudades.

Sacudida pela atitude inexplicável do rapaz recluso que acabou de completar 18 anos e que aparentava ser uma pessoa normal, levando vida pacata de estudante e operário, até escolher a forma mais bárbara e covarde possível para mostrar sua verdadeira e monstruosa face, a população de Saudades precisa seguir em frente.

Em meio ao turbilhão de emoções e ao luto, a esperança de dias melhores e de superação que se seguem a este tipo de tragédia, o apoio psicológico é fundamental. As pessoas, todas atingidas de uma forma ou outra, precisam retomar suas vidas que ficaram de certa forma congeladas naquela manhã de 4 de maio.

E neste sentido é mais do que bem-vinda a atuação dos profissionais voluntários de diferentes áreas que estão se colocando à disposição para resgatar a esperança e a fé na humanidade destroçadas pela mente doentia.

Especialista em situações emergenciais e com atuação em tentativas de suicídio e sequestros, além de ajudar profissionais, como bombeiros e policiais, que atuam em grandes tragédias a manterem a sanidade mental, o professor da PUC de São Paulo, psicólogo e especialista em crises e grandes tragédias, Luis Picazio Neto, é um dos voluntários dispostos a ajudar Saudades a sair do luto imposto.

Ele orienta que em momentos de tragédias como este o ideal é sempre buscar ajuda de profissionais qualificados. E faz parte de todo o processo viver todas as fases, que vão do choque inicial à dor e ao luto. Mas, sobretudo, as pessoas precisam falar sobre o que ocorreu, externar seu sofrimento, buscar ajuda médica e psicológica e, se for necessário, recorrer ao uso de medicamentos e à psicoterapia para evitar danos posteriores.

Meditação, yoga, caminhadas, comer e dormir bem e estar perto de pessoas amadas são algumas das ações que auxiliam em situações como essa. “É importante reencontrar o equilíbrio. Um dia você vai estar bem, no outro vai falar mais, em outros menos. O importante é estar rodeado de pessoas que fazem bem”, explica o especialista.

E, alerta o especialista, é muito importante que as crianças sejam acompanhadas pelo menos por dois anos para que isso seja transformado em uma lembrança, uma saudade e não em um grande trauma. E aos pais fica o alerta de que não são só os filhos hiperativos que merecem atenção especial. É preciso saber ler o silêncio dos reclusos.

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