Passo necessário

“Nos apavoramos quando constatamos que faltou oxigênio em Manaus. Mas na sexta-feira, uma dona de casa da Capital morreu por falta de oxigênio e atendimento.”

Um passo para trás. A decisão que todos os segmentos econômicos temiam, de adoção de novas restrições, uma espécie de “meio lockdown”, parece ser a solução que os governantes encontraram para tentar conter a extensão dos estragos provocados pelo coronavírus.

Pouco mais de um mês depois de os primeiros lotes de vacina chegarem, carregando consigo o símbolo da esperança de que em pouco tempo a situação estaria contornada, e que a tão esperada retomada da rotina roubada da população há quase um ano voltaria, infelizmente o cenário é bem mais preocupante.

E a cada investida do vírus, a tal retomada fica mais distante, assim como as vacinas. Ainda nesta semana, estudo da Fiesc, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, aponta otimismo no segmento industrial, onde a queda de 4,4% em 2020 em relação a 2019 foi menor que a média do Brasil, de 4,5%.

Apesar de muitas empresas terem fechado, outras amargado prejuízos, em especial no setor de eventos, e muitos postos de trabalho terem sido eliminados, o fato é que muitos empreendimentos cresceram na crise e a geração de novas vagas também trouxeram um alento.

A prova de que a crise econômica parece não afetar tanto o Estado é a arrecadação histórica de R$ 3 bilhões verificada em janeiro. Feliz com estes números, ainda na segunda-feira, em entrevista do grupo ND, o secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli, apelou para que a população siga as orientações sanitárias como forma de prevenção. Ele tem razão, pois obviamente as aglomerações estão por trás dos picos de pandemia.

E é o que se espera mesmo. Bom senso. Ao assumir em janeiro, o primeiro decreto do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, foi eliminar qualquer restrição. Hoje, ele está em Brasília pedindo apoio ao Ministério da Saúde, diante do colapso vivido na região.

E nunca é tarde lembrar que em uma situação tão delicada, erros não podem ser aceitos. Nos apavoramos quando constatamos que faltou oxigênio em Manaus.

Mas na sexta-feira, uma dona de casa de 41 anos moradora no bairro Capoeiras, na Capital catarinense, morreu em casa, por falta de oxigênio e atendimento. Bastava um daqueles 200 respiradores superfaturados comprados pelo Estado e que ninguém sabe e ninguém viu para salvar a vida dela.

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