Políticas de bem-estar animal

Aparentemente prosaica, a polêmica em torno da intimação feita pela Prefeitura de São José para que sejam retiradas das calçadas as casinhas que abrigam animais abandonados evidencia a omissão dos órgãos municipais diante de um problema cada vez mais visível nos centros urbanos – e que exige uma ação firme e responsável. Estima-se, inclusive, que o panorama piorou desde o início das medidas de isolamento social, em março por conta da pandemia.

Em alguns municípios, o número de animais nas ruas aumentou em torno de 5%. No caso em questão, no entanto, não foi só a polêmica em si que chamou a atenção, mas a reação das autoridades diante da reportagem publicada pelo ND de sexta-feira (11).

Em vez de admitir que falta planejamento e políticas adequadas para inibir o abandono de animais e dar assistência aos que estão nas ruas – com abertura de diálogo para solução dos problemas apontados pela comunidade -, a administração municipal preferiu outro caminho: emitiu autuações por conta de normas de acessibilidade. Ou seja, além de fechar os olhos para a questão, a caneta oficial ainda atrapalha iniciativas bacanas levadas a cabo pela comunidade do Loteamento Jardim Botânico.

O ponto chave da discussão, que talvez não interesse entrar na pauta dos gestores, é o que tem sido feito efetivamente em projetos de bem-estar animal.

Os moradores ouvidos pelo jornal disparam críticas e o assunto já chegou ao Ministério Público de Santa Catarina, que deu prazo de 20 dias para que a prefeita Adeliana Dal Pont, no fim do mandato, preste esclarecimentos sobre as situações de abandono e maus-tratos relatadas. A expectativa, agora, é que diante da cobrança do órgão fiscalizador, o assunto seja tratado com a seriedade que merece.

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