Ponto sem controle

Quanto tempo uma empresa demora para implantar um sistema de ponto eletrônico para seus funcionários? Uma semana, alguns dias? É segurança para o empresário e para o empregado e certeza que todos estão dentro da lei. Na UFSC, até se podia pensar em uma licitação ou termo de cooperação, com prazos maiores, mas mesmo condenada pela justiça em 2017, a universidade ainda controla o ponto de seus servidores “na confiança”, de forma precária. Parte dos docentes ainda abraça campanha do sindicato da categoria contra a medida, em total descompasso com a transparência que pede a sociedade nos dias de hoje e corroborando com as críticas à gestão da instituição.

Em meio a necessidade de economia de recursos no governo federal, como justificar que você trata o controle das horas trabalhadas “apenas como um elemento de gestão”, segundo informou a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Carla Búrigo?. Para ela, “ o que garante produtividade é a responsabilidade social de cada servidor”. Ninguém duvida da responsabilidade de um professor perante suas aulas, mas não se deve gerenciar nenhum órgão público como casa de caridade. O mínimo que se espera de um gestor é o controle eficiente das horas trabalhadas e das horas extras.

Da mesma forma, também não se discute que há características peculiares no trabalho de um professor universitário. Que as atividades vão além da sala de aula. Mas isso também precisa ser registrado, eletronicamente ou não, com clareza e transparência. É bom para o professor, que vê o seu trabalho respeitado e confiança para os estudantes e para a sociedade, que tem como fiscalizar e saber que o dinheiro pago em impostos está sendo empregado com justiça na formação universitária do brasileiro. Da forma como está, fica muito difícil crer num controle de despesas por parte da Universidade Federal de Santa Catarina.

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