Preocupações e incertezas

Além do próprio vírus, estresse e medo são outras preocupações dos
profissionais de saúde para com a população que cumpre o isolamento social. Um início de gripe ou resfriado se torna uma enorme apreensão. É uma grande quantidade de incógnitas e desafios para superar. “Será que vou ser infectado? “Como faço para proteger a minha família do contágio?” “Meu emprego será mantido quando tudo isso terminar?” “Por quanto tempo essa situação vai durar?”.

São temores legítimos, com os quais uma grande parcela da sociedade convive diariamente. Por tudo isso é que crescem a atenção e os cuidados com a saúde mental. Pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) em editorial publicado em 3 de abril na “Revista Brasileira de  Psiquiatria”, preocupados com as lacunas nas estratégias de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, apresentam um quadro de recomendações para todos consigam atravessar esse momento lúcidos e sãos.

Dentre elas estão a necessidade de implantação de equipes multidisciplinares, abertura de canais de informação, disponibilidade de conteúdo psicoeducacional, treinamento dos profissionais de saúde para gerenciamento do estresse, trauma, depressão e comportamento de risco; incentivo à
pesquisa científica, acesso a serviços estruturados de saúde mental,
seguir as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e
das agências governamentais de saúde, e não culpar ou discriminar
grupos ou indivíduos pelo processo de contaminação.

Desde a gripe espanhola, há mais de 100 anos, não havia um evento
de tamanha escala mundial como a Covid-19. É sabido que nunca
estaremos preparados para momentos de total incerteza na vida.

Ainda mais com tanta tecnologia e facilidades que dispomos na palma
da mão, o que nos dá a sensação de que controlamos tudo. Num
horizonte cheio de indefinições, cuidar de si e do outro tem agora um
novo sentido: é a melhor forma de enfrentarmos e sairmos todos
bem desse período difícil.

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