Privatização da Comcap

A contratação emergencial da empresa privada Racli para o recolhimento do lixo em Florianópolis por quase um terço do valor da tonelada recolhida, revela o peso que a Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital) representa para a Prefeitura da Capital. Enquanto a Comcap cobra R$ 420,80 a tonelada de lixo, a Racli, que presta serviços em nove municípios catarinenses, entre eles Criciúma, Tubarão e Blumenau, vai cobrar R$ 176,89.

A enorme disparidade de preço é apenas uma das muitas adversidades encontradas dentro da autarquia, criada como companhia em 1976 e vinculada à prefeitura desde então. Dependente do orçamento do município, a Comcap, com seu batalhão de 1.500 funcionários, deixa um rombo milionário aos cofres municipais a cada ano.

Agora, outra vez, os trabalhadores, incentivados pelo sindicato, fazem mais uma greve, inoportuna, como quase todas as outras que deixaram a população sem os serviços essenciais de limpeza e coleta de lixo. O trabalho da autarquia é reconhecidamente de excelência, isso não se discute, mas com um custo financeiro e social absurdo para os moradores. Por todos os problemas que a Comcap apresenta, e com as greves orquestradas pelo sindicato, já passou da hora de privatizar a autarquia. A empresa continua a ser um grande entrave para a Capital e exige um novo modelo de gestão.

Há mais de cinco anos o Grupo ND defende a privatização. Em junho, após mais um indício de greve, a Acif (Associação Industrial de Florianópolis) defendeu a desestatização da autarquia para “oferecer uma coleta mais eficiente e sem onerar ainda mais os cofres municipais, como ocorre em outros municípios catarinenses.

A gestão da Comcap é fruto da ingerência política na sua administração ao longo das últimas décadas. A estrutura inchada, com trabalhadores que recebem, em média, salários superiores à iniciativa privada, precisa urgente ser revista.

A privatização, ao contrário do que imaginam os sindicalistas, não implica em demissão em massa e na extinção de direitos conquistados. Na terceirização e modernização da empresa, a prefeitura pode exigir o aproveitamento dos funcionários, remanejando servidores e garantindo empregos. A Comcap tem solução.

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