Privilégios com os dias contados

O prefeito Gean Loureiro começa o segundo mandato à frente da Prefeitura de Florianópolis com uma atitude corajosa e necessária. Vai mexer em um dos mais graves problemas relacionados à administração municipal: a Comcap. A Autarquia de Melhoramentos da Capital custa caro ao contribuinte.

Dos R$ 2,35 bilhões do orçamento de Florianópolis em 2020, 8% foram destinados à Comcap, que gasta a maior parte dessa verba em salários. O que está em jogo não é a qualidade do serviço. A população da capital catarinense reconhece o trabalho prestado pela autarquia, mas não tem ideia do custo financeiro e social que a Comcap representa para o município e para os cidadãos.

Um pacote de projetos foi enviado à Câmara de Vereadores, que deve votar nos próximos dias. Dentro desse pacote está a proposta das alterações na Comcap, “que revoga todos os superprivilégios da autarquia”, como disse Gean ao colunista Fabio Gadotti, na sexta-feira (15).

Entre eles, pagamentos diferenciados de horas extras e de adicionais de férias em relação aos servidores da administração direta e indireta. Os cortes, segundo o prefeito, vão garantir uma economia de R$ 100 milhões aos cofres públicos em quatro anos.

Não dá para esquecer também dos supersalários, como o ND revelou em reportagem na edição de 5 e 6 de dezembro de 2020. Engenheiro sanitarista recebe R$ 37,5 mil; advogado ganha R$ 31,2 mil; Gari tem salário de 19,7 mil; bibliotecária recebe R$ 18,2 mil… são valores fora da realidade do mercado de trabalho, um verdadeiro deboche.

A gestão da Comcap é fruto da ingerência política na sua administração ao longo das últimas décadas. Há greve constantes, que prejudicam a população, por conta de um sindicato anacrônico e oportunista.

Em outubro de 2015, o jornal ND publicou a série de reportagens “Dossiê Comcap”, com todos os problemas enfrentados pelo município em relação à autarquia. Desde então o ND acompanha e denuncia os absurdos. Passou da hora de mexer nesse vespeiro chamado Comcap.

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