Privilégios na Celesc

O salário de R$ 276.200,16 que o presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, recebeu agora em julho, é um acinte, um tapa na cara do povo catarinense que, em meio à pandemia, convive com remunerações reduzidas, desemprego e restrições, além de milhares terem perdido seus imóveis após a passagem do ciclone pelo Estado e 1,5 milhão ter ficado até seis dias sem luz.

A PLR (Participação de Lucros e Resultados) paga pela companhia de energia elétrica aos 3.386 funcionários não é ilegal, pois faz parte das normas da empresa há muito tempo, mas chega a ser imoral. Os salários de diretores são multiplicados por seis na distribuição de lucros. Somente o presidente e mais cinco diretores receberam R$ 1,44 milhão nesta folha salarial.

O governo Carlos Moisés, eleito com a bandeira da “nova política”, deveria dar o exemplo. O Estado, maior acionista da Celesc, poderia mudar as regras para que no próximo exercício os salários dos diretores não fossem sextuplicados. Que os recursos fossem utilizados para modernizar a empresa, na melhoria dos serviços.

Mas as bandeiras utilizadas por Moisés e sua equipe ficaram pelo caminho. Desgastado pelo escândalo dos respiradores, que levou à prisão um ex-secretário e derrubou as principais figuras do primeiro escalão, e pelas diversas denúncias sobre indicações de cargos, gastos na Agronômica ou irregularidades na SCPar, o governo não tem forças, ou quem sabe não tem vontade, de acabar com tantas imoralidades perpetuadas no serviço público ao longo dos tempos.

“Essa remuneração da diretoria é absurda”, afirmou Paulo Horn, servidor da Celesc que preside o Sindicato dos Eletricitários do Norte de Santa Catarina. “A gente se sente prejudicada. Ligamos pedindo socorro para a Celesc e nada”, criticou a comerciante Evelyn Fraga, de Florianópolis, que ficou três dias sem luz e perdeu todos os produtos dos refrigeradores do seu mercado.

Os depoimentos, que fazem parte da reportagem publicada aqui no ND de sexta-feira, revelam o descontentamento interno e externo com a Celesc. O reconhecimento profissional aos servidores não tem o mesmo peso dado aos diretores, muitos deles apadrinhados políticos, e a prestação dos serviços gera descontentamento geral da população. Privilégios para a minoria e prejuízos para a maioria.

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