Professor na fila

Depois de 2020 ter entrado para a história como o “ano atípico”, o ano em que as pessoas aprenderam a viver (e morrer) em meio à pandemia, de máscaras, a lavar as mãos como nunca e literalmente ver em um recipiente de álcool o símbolo da pureza e da salvação, 2021 está se configurando como “mais um ano atípico”.

É o ano do Carnaval sem Carnaval, o ano da retomada da volta às aulas em três versões. E esta volta às aulas, que traria a suposta normalidade, não está se configurando como esperada.

O debate sobre o retorno às aulas presenciais no meio da segunda onda da pandemia no Brasil continua rodeado de opiniões conflitantes. Mas pouco se ouve de quem mais conhece as escolas: os professores e os especialistas em educação.

Esses profissionais, exauridos pela mudança em suas rotinas no ano passado, temem naturalmente por suas vidas, pelas dos alunos e dos familiares.

E em meio a tantas opinião contraditórias e às atividades, que se multiplicam por três, já que agora o planejamento das aulas tem que abranger três diferentes cenários – o das aulas presenciais, o das virtuais e o intermediário -, além de entenderam que não há condições reais de segurança sanitária temem que a responsabilidade pela proliferação do vírus recaia sobre seus ombros, deixando de ser professores para se tornarem fiscais de máscara e distanciamento social.

As equipes pedagógicas adaptaram seu modo de trabalhar até encontrarem um caminho para o ensino remoto, que agora será híbrido, forçando os professores a planejamentos triplos, feitos às pressas, e a temer que a tão almejada qualidade da educação fique de lado por uma questão que não é só escolar, mas social e de saúde.

Não há dúvidas do quanto crianças, jovens e suas famílias têm sofrido neste período. A escola sabe disso e quer que seus alunos continuem estudando, mas os professores estão temerosos, pois a categoria, que só é lembrada no dia 15 de outubro como a profissão mais importante, porque ensina na formação de todas as outras, não é vista como prioritária na fila da vacinação.

Cientificamente já é conhecido o risco de se manter pessoas em um mesmo ambiente por muito tempo, especialistas alertam para os contatos cruzados, o aumento da circulação de pessoas e lembram que a vacina deveria ser oferecida como prioridade para os agentes educacionais. Assim também pensam os profissionais da educação, que estão preocupados também com a qualidade do ensino.

Que o governo invista de uma vez por todas na educação, vacinando seus profissionais, amparando e estruturando as escolas. Desta forma, é claro, estará apoiando as famílias, mantendo crianças e jovens saudáveis, em condições de estudar num local salubre.

+

Editoriais