Proteste, mas use a máscara

Às vésperas de completarmos um ano da divulgação do primeiro decreto determinando medidas de restrição sanitária na tentativa de combater a Covid-19, os moradores de Santa Catarina amanhecem nesta segunda-feira com o mesmo clima de incerteza com que encararam o decreto de número 1.

Saídos do terceiro fim de semana de lockdown, todos vivem sob um clima de apreensão em relação ao futuro. E a esperança e a determinação são os combustíveis que nos movem rumo à esperada retomada.

Cansados desta situação, alguns populares deixaram ontem de cumprir as restrições para levar seu desabafo em forma de protesto contra as medidas até então tomadas. No Brasil, foram registradas manifestações em várias cidades.

Os focos dos manifestos eram variados, mas o principal era reforçar o apoio ao presidente Jair Bolsonaro, que vive um momento delicado com o anúncio de que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, manifestou intenção de deixar o cargo.

Os manifestantes fizeram cobranças aos governadores que têm determinado medidas mais duras de isolamento social em meio ao recrudescimento da pandemia no País. E também repetiram críticas a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e voltaram a pedir “intervenção militar”.

Manifestações são forma saudável de expressar-se, pois reproduzem sentimento legítimo de grande parcela da população. Porém, em muitos municípios, apesar de os organizadores orientarem os manifestantes a usarem máscaras, houve desrespeito à medida. Em Curitiba, um juiz proibiu a realização de manifestações em espaços públicos da capital paranaense enquanto durar o lockdown, decretado na sexta e com duração prevista de nove dias.

Ele ainda fixou multa de R$ 1 mil a cada manifestante que desrespeitasse a medida. O fato é que errando ou acertando, tanto o governo federal como Estados e municípios tentam, desesperadamente, buscar alternativas para ampliar o número de leitos de UTIs nos hospitais.

E quando pedem para a população ficar em casa, evitar aglomerações e fazer uso de máscaras e álcool gel para higienizar as mãos é para preservar a vida de cada um.

No fim de semana, o secretário de Saúde de Joinville, Jean Rodrigues da Silva, fez um desabafo nas redes sociais. E perguntou aos seus seguidores se alguém trocaria de lugar com um profissional da ala Covid-19.

Obviamente que esse questionamento foi figurativo, mas denota uma condição que atinge não apenas médicos, enfermeiros e técnicos, mas também as autoridades.

O esgotamento físico e mental é perceptível e coloca todos no mesmo balaio, afinal, são pessoas tomando decisões difíceis, não máquinas. Por isso, nestas horas, quem quiser exercer seu direito legítimo de protestar, que o faça, mas, por favor, não esqueça de usar a máscara

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