Repúdio à violência

A agressão sofrida pela equipe da NDTV Record Joinville, no sábado, exige ações pontuais das autoridades de segurança e punição aos culpados. Nada justifica uma agressão gratuita, seja ela verbal ou física, a qualquer profissional, independentemente de sua área de atuação.

O Grupo ND lamenta profundamente as agressões sofridas pelos seus funcionários, quando ambos tentavam registrar uma briga que envolvia frequentadores de uma choperia e foram covardemente atacados no momento em que faziam o seu trabalho.

As agressões à equipe do ND não são um caso isolado. Lamentavelmente, casos envolvendo agressões a profissionais da imprensa e desrespeito ao trabalho executado pelos mesmos vêm crescendo a níveis estratosféricos.

O Relatório Anual de Violações à Liberdade de Expressão, divulgado pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) no fim de março deste ano, mostra que ofensas, ameaças e intimidações contra jornalistas aumentaram 167,85% no Brasil no ano passado em relação a 2019.

Ao todo, foram 150 casos de violência não letal registrados em 2020, envolvendo 189 profissionais. O levantamento divide os casos em 10 categorias diferentes: ofensas (59), agressões (39), intimidações (25), ameaças (10), atentados (4), censuras (3), ataques e vandalismo (2), detenções (2), e sequestro (1).

Já o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil 2020, da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), divulgado em janeiro, mostra que o ano que passou foi o mais violento desde o começo da década de 1990, quando a entidade sindical iniciou a série histórica. Foram 428 ataques – incluindo dois assassinatos – o que representa aumento de 105,77% em relação a 2019.

O relatório também destaca que, entre os autores dessas intimidações, 11 são políticos ou ocupantes de cargos públicos. De acordo com a Abert, na maioria dos casos os autores falavam em matar os alvos. Os ataques virtuais ganharam um capítulo à parte em 2020, com tentativas de descredibilização da imprensa no Brasil.

A apuração revelou que, em 2020, foram publicados 2,9 milhões de posts negativos sobre a imprensa brasileira, com expressões como “golpista”, “lixo”, “parcial”, “canalha” e “grande mídia”. Mesmo diante do papel humanitário da imprensa na pandemia, que precisava trazer as melhores informações para a sociedade, os ataques continuaram sem trégua.

Quanto ao caso que envolve o ND, o que se espera é a apuração rigorosa dos atos criminosos e a punição aos responsáveis. Testemunhada por diversas pessoas, a agressão foi registrada em local público, o que ajudou a polícia a identificar rapidamente os agressores.

Não há como negarem as ações que as imagens mostram. Importante destacar a conduta dos profissionais durante o ataque. Em momento algum, eles reagiram às agressões.

Contamos com o trabalho das polícias Civil e Militar, ao mesmo tempo em que ressaltamos que a imprensa tem o relevante papel de informar a sociedade e não podemos permitir que o trabalho dos profissionais do jornalismo seja tolhido mediante violência.

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