Retomada das obras

Obras inacabadas já viraram cena comum da paisagem urbana em diversas partes do Brasil. E pior: muitas delas superfaturadas, um desperdício de dinheiro público, que acabam virando ruínas ou sucatas. Para recuperá-las, o presidente Jair Bolsonaro informou ontem que vai priorizar a conclusão dessas obras iniciadas há dez, 20, 30 ou 40 anos por ex-presidentes da República.

O objetivo do governo federal é concluí-las antes de iniciar novos projetos. São 33 obras que deverão ser finalizadas neste segundo semestre. Destas, 25 começaram a ser executadas nas gestões de Lula e Dilma, mas ficaram pelo caminho em meio aos escândalos que culminaram no impeachment da ex-presidente e na prisão do ex-presidente.

Focado na recuperação econômica e no desenvolvimento do Brasil, Bolsonaro quer apagar a imagem do “país do desperdício”. Nos últimos anos, os exemplos de jogar dinheiro público pelo ralo se multiplicaram em praticamente todos os Estados. Escolas, hospitais, obras viárias e outras necessárias para o desenvolvimento das cidades nunca foram finalizadas. Má gestão e corrupção são os principais motivos do abandono das obras.

Conforme o Tribunal de Contas da União, grande parte acontece por divergências de valores contratuais com o governo federal após as licitações. A explicação do TCU é simples: as obras são licitadas com projetos básicos incompletos ou malfeitos e os contratos precisam sofrer aditivos e, depois disso, a verba é insuficiente.

Muitas vezes, mesmo durante as licitações, as empresas orçam os projetos com custos abaixo do necessário e depois não têm recursos para finalizar as obras, paralisando as construções. E tudo isso com referendo dos governantes. Bolsonaro, agora, vai também quebrar uma espécie de tabu na política: dar continuidade às obras de governos anteriores.

O ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, fez uma declaração sobre isso: “Sempre se questiona ou critica a falta de continuidade dos governos. “Terminamos obras de outros governos. Que bom”. Como disse o ministro, não é preciso reinventar o Brasil a cada quatro anos, pois infraestrutura é uma questão de Estado, uma questão de longo prazo. Basta competência e boa vontade dos governantes, como está acontecendo agora na gestão de Jair Bolsonaro.

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