Risco de entrave

Que os preços altos não signifiquem um entrave justamente no momento em que a economia sofre para retomar o crescimento.”

Nem dez dias depois de o consumidor ter tentado digerir o anúncio da Petrobras, do terceiro aumento dos combustíveis do ano, uma nova majoração, o quarta do ano, foi anunciada ontem. Com o aumento, segundo aponta o IPTL (Índice de Preços Ticket Log), de 4,49% no preço da gasolina nos primeiros 15 dias de fevereiro, o litro médio chegou a R$ 5,033. É a primeira vez que a empresa aponta o preço da gasolina acima de R$ 5 na média nacional desde o início da série histórica em 2011. Em janeiro, a média era de R$ 4,816. Na prática, em alguns Estados ela já está sendo vendida a bem mais do que R$ 5.

Em comunicado, a Petrobras enfatizou que mantém os seus preços alinhados aos do mercado internacional, o que, segundo a estatal, “é fundamental para garantir que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras”.

O anúncio do quarto aumento, somente neste ano, aponta um acumulado de 34,78%, enquanto a inflação oficial do País, medida pelo IPCA, em janeiro subiu 0,25% em comparação a dezembro do ano passado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Lamentavelmente, a Petrobras – e as autoridades governamentais – seguem ditando as regras no mercado, sem se importar com os reflexos na economia do país e no bolso dos cidadãos, já combalido às vésperas de completarmos um ano de pandemia.

É contraproducente que enquanto o governo federal se esmera para dar continuidade ao pagamento do auxílio emergencial, enquanto há uma tentativa de volta à normalidade com o retorno às aulas presenciais e que o cidadão tente se equilibrar com as despesas características desta época, como a chegada dos carnês do IPTU, tenha que ainda sofrer com tantos aumentos de combustíveis.

O presidente Jair Bolsonaro já disse que não quer interferir na Petrobras. “A bronca vem sempre pra cima de mim, mas a Petrobras tem autonomia”, disse. Porém, Bolsonaro admite que os aumentos estão “fora da curva”, sem falar que politicamente eles prejudicam a popularidade do governo federal.

Então, que o Executivo busque uma solução junto à estatal para que os preços altos não signifiquem um entrave justamente no momento em que a economia sofre para retomar o crescimento.

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