Safra da tainha: tradição e polêmicas

É grande a expectativa para o início da safra da tainha no litoral catarinense. Mas como todo ano, a pesca é cercada de polêmicas. Questões jurídicas ou burocráticas impostas pelo governo federal sobre as regras propostas já atrasaram muitas vezes o início da safra, o que acaba prejudicando a cadeia econômica da pesca.

Este ano, os pescadores amadores, que são os primeiros liberados para capturar os peixes, a partir de 1º de maio, viviam dias de apreensão devido à indefinição das regras sanitárias. Ontem, o governo do Estado atualizou a portaria da Secretaria da Saúde e divulgou os protocolos que precisam ser respeitados durante a safra.

Além da demora na definição das regras relacionadas ao combate da Covid-19, outro fator que desagradou os pescadores foi a redução de cotas. Portaria do governo federal estabelece 605 toneladas para a modalidade de cerco traineira e 780 toneladas para a modalidade de emalhe anilhado.

Nesse caso, a explicação do Ministério da Agricultura é justa: a redução foi baseada em estudos para garantir a preservação da espécie. Com as capturas denominadas “não controladas”, milhares de peixes são retirados todos os anos das praias de Santa Catarina e da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul.

A polêmica em torno da pesca da tainha, que é importante para a sobrevivência dos pescadores artesanais e industriais no Estado, precisa acabar. Não dá para deixar que as indefinições sejam resolvidas em cima da hora. A insegurança a cada ano atrapalha todo o setor. Por isso, precisa haver uma definição antecipada sobre as regras da safra.

Em Florianópolis, a atividade movimenta todo o município. Pescadores passam os dias nas praias, junto com os olheiros, peixarias aguardam para comercializar e os consumidores correm para comprar os melhores peixes. Esse é o ciclo da tainha. A cultura e a tradição dessa atividade precisam ser preservadas.

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