Saindo da letargia

Depois de quase seis meses de letargia, finalmente ontem a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) retomou as atividades acadêmicas. As aulas, que serão de forma remota, atingem população estimada em 50 mil pessoas, se considerarmos os mais de 46 mil alunos, 2.600 professores e centenas de profissionais de diferentes segmentos que atuam nos campi da universidade.

Esta retomada é mais do que tardia, já que a universidade demorou quase meio ano para tomar uma decisão que compromete as atividades acadêmicas e o semestre. É de conhecimento público e consenso que a suspensão das aulas presenciais em todos os níveis foi necessária para evitar casos de contaminação pelo coronavírus nas salas de aula.

Mas também é fato que a nova realidade trazida pela pandemia exigiu sacrifícios de toda a sociedade, seja do comércio, shoppings, suspensão de transporte coletivo, e também do segmento de ensino. Professores da educação básica e fundamental tiveram poucos dias para reinventar-se e adotar uma nova rotina de aulas on-line.

Se esta nova forma de ensino virtual, criticada por uns e elogiada por outros, vai dar certo, somente o futuro dirá, mas o fato é que de alguma forma os conteúdos didáticos estão sendo repassados. Por isso, a decisão da reitoria, de manter os professores em casa, durante todos estes meses, sem trabalhar e recebendo seus vencimentos integralmente, não foi bem aceita pela sociedade.

A alegação de que a universidade não tinha condições de implantar aulas on-line, em especial pela sua incapacidade tecnológica, pareceu exagerada, já que outras instituições de ensino, das redes pública e privada, procuraram contornar a situação de forma muito mais rápida.

Lideranças de diferentes segmentos criticaram a inércia da universidade federal neste momento em que, entendem, ela deveria estar ainda mais envolvida na sociedade e na formação dos cidadãos. Representantes de professores chegaram a se manifestar para lembrar que alguns segmentos de pesquisa continuaram atuando, e dando sua contribuição à ciência, seja no HU, assim como na produção álcool gel em seus laboratórios e na orientação de mestrandos e doutorandos.

A demora em tomar decisão fez com que o MPF (Ministério Público Federal) orientasse a elaboração de um plano de retomada baseado nos recursos de ensino à distância já conhecidos. E para complicar ainda mais a situação de professores e alunos no esperado reencontro virtual, a plataforma adotada para ensino foi atacada por hackers. Agilidade agora é fundamental para compensar o tempo perdido e promover o esperado avanço tecnológico.

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