Saúde pós-pandemia

Em audiência pública promovida pela Comissão Especial de Fiscalização e
Acompanhamento dos Gastos com a Covid-19, a Secretaria de Estado da Saúde informou que o governo pretende manter em operação as UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) abertas durante o enfrentamento da pandemia. A ideia é suprir a demanda reprimida de cirurgias eletivas suspensas nos últimos meses.

Passado o desafio emergencial de atendimento dos pacientes com coronavírus, os olhos deverão se voltar – caso o bom senso prevaleça, e esperamos que sim – para uma discussão séria sobre o futuro do sistema de saúde pública no Brasil. Decisivo no combate à Covid-19, pela universalidade e capilaridade, o SUS é tido como o mais abrangente do mundo.

Presente em todos os 5.570 municípios brasileiros, opera uma vasta rede de serviços, distribuídos por UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), UBS (Unidades Básica de Saúde), equipes de Saúde da Família, além de hospitais públicos e da rede privada conveniada. É um patrimônio do país – e como tal deve ser tratado. A grave crise sanitária atual expõe, ao mesmo tempo, suas mazelas e suas virtudes.

É um debate que extrapola a polarização política e ideológica que vem dificultando o encaminhamento de pautas importantes para o país, vide reformas estruturas que acabam ficando pelo caminho, retalhadas por conveniências de grupos econômicos e interesses corporativos de segmentos do serviço público.

São vários os focos, mas dois pontos iniciais podem ser elencados como prioritários nessa tarefa pós-pandemia: uma ofensiva rigorosa contra a corrupção, que coloca em risco especialmente os mais pobres que buscam o atendimento público, e uma nova estrutura institucional para o financiamento do setor.

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