Sem contorno, mas com reajuste

Em dívida de oito anos com Santa Catarina, mais especificamente com a Grande Florianópolis, pelo atraso na conclusão do Contorno Viário, a Arteris – Autopista Litoral Sul, com a anuência da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e do TCU (Tribunal de Contas da União), vai arrecadar mais dinheiro com o reajuste da tarifa do pedágio nas quatro praças – Garuva, Araquari, Porto Belo e Palhoça – a partir de amanhã, dia 12.

Em meio à pandemia, com redução salarial e aumento do desemprego, motoristas de veículos de passeio, que pagam R$ 3, passarão a pagar R$ 3,90. Ou seja, os motoristas aguardam pela conclusão da obra do Contorno há oito anos e ainda terão que dar mais dinheiro para a Arteris.

A empresa assinou o contrato de concessão em 14 de fevereiro de 2008, com vigência de 25 anos. Assumiu as BRs 101 (em Santa Catarina) e 376 (no Paraná) já duplicadas. Construiu as praças de pedágio e não parou mais de arrecadar. Fez apenas maquiagens na rodovia, com recapeamento asfáltico, pinturas e capinas de mato.

A grande obra, o Contorno Viário da Grande Florianópolis, deveria estar pronto em 2012. Oito anos de atraso, com falsas promessas de conclusão, que a cada ano foram sendo renovadas. A última promessa é para agosto de 2023.

A concessionária ainda tem mais 13 anos de contrato, tempo necessário para arrecadar muito mais dinheiro com as tarifas de pedágio. Enquanto isso, motoristas que trafegam por um dos trechos de rodovias federais mais perigosos do país, entre Biguaçu e Palhoça, vão continuar correndo riscos.

O tráfego pesado não vai sair tão cedo da BR-101. Essa novela da construção do contorno vai seguir por muitos capítulos, ou anos, infelizmente. E o maior penalizado, claro, é o povo catarinense.

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