Somos todos Saudades

O cartaz “Somos todos Saudades” carregado por criancinhas com a mesma idade das que foram vítimas da chacina ocorrida na terça-feira em Saudades, no Oeste catarinense, em uma homenagem póstuma, reflete o sentimento de comoção que tomou conta de todos diante da violência inexplicável e sem limites provocada por alguém que até então aparentava ter boa conduta.

Ironicamente, a tragédia ocorreu no dia em que o ND ostentava manchete informando que os órgãos de segurança comemoravam a queda nos índices de criminalidade no primeiro quadrimestre deste ano.

O que mais chamava atenção era o número de homicídios, o menor referente ao mês de abril dos últimos 12 anos. E justamente cinco foram registrados em dez minutos no município que em dez anos havia contabilizado sete assassinatos.

Às vésperas do pior Dia das Mães que a cidade enfrentará, afinal, não foram somente as mães das cinco vítimas que estão “órfãs”. Mães de outros alunos, professoras, avós, bisavós, tias, amigas, conhecidas, colegas estão nesta situação. E a pergunta que não quer calar é a mesma… Por quê? Resposta que somente a mente doentia poderá ter, se sobreviver para dar a sua versão.

Impossível não se sensibilizar diante dos três pequenos túmulos lado a lado no cemitério da cidade. Saudades está órfã de seu futuro, de sua inocência, de sua fama de cidade pacata. Tudo isso perdido em dez minutos de insanidade, planejados ao longo de dez meses.

Mas em dias sombrios, que ficaram mais sombrios ainda com a morte, ontem, na Grande Florianópolis, do engenheiro, escritor, historiador e cinéfilo Gilberto Gerlach; e no mesmo dia da tragédia, do ator Paulo Gustavo, além de todas as mais de 417 mil vítimas da pandemia, a lição que a insanidade de Saudades nos traz é que as famílias, professores e todo o círculo social precisam ficar muito atentos aos pequenos sinais de perigo emanados por uma mente doentia.

Assim como as autoridades, agora em alerta diante de nova ameaça, que mereceu pedido de alerta da ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, em relação a um homem que postou fotos de armas em rede social ameaçando “explodir uma escola”.

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