Trabalhar é essencial

Traz certo alento o decreto publicado nesta semana pelo governo do Estado prevendo que não haverá interrupção das atividades do funcionalismo público neste fim de ano.

Com isso, a velha prática do recesso de cerca de 20 dias, em alguns casos até 30, justamente no auge da temporada de festas e de verão, está cancelado. E está mais do que na hora desta prática ser abolida de vez.

Claro que ela só beneficiava mesmo uma pequena parcela dos burocratas de plantão, já que profissionais das áreas de saúde, segurança, da limpeza urbana e de outros serviços essenciais não podem parar.

Mas a paralisação dos serviços burocráticos acaba por entravar ainda mais a vida dos cidadãos, que já estão com a vida bem complicada neste ano atípico.

Por isso, a decisão é tão bem-vinda, ainda mais neste momento de preocupação com os números crescentes de casos de Covid-19 e em que a retomada econômica ganha força com a virada do ano. Mas mais do que manter as atividades, o governo tem que ter pulso firme para acabar com outras velhas práticas conhecidas e notórias de há tempos, mas sempre deixadas pra lá.

Um dos exemplos mais gritantes vem de Joinville, no Norte do Estado, onde a Polícia Civil acaba de divulgar investigação que comprovou a prática criminosa de pelo menos 11 médicos concursados e muito bem remunerados pelo nosso dinheiro e que atuavam no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt.

Os profissionais em questão, monitorados ao longo de meses, se davam ao trabalho de comparecer ao hospital, batiam o ponto e saiam para fazer atividades particulares, dormir em casa ou até mesmo frequentar motel, enquanto os casos se acumulam e suas vítimas sofrem aguardando por horas por um atendimento médico que às vezes nem chega ou chega tarde demais. Quer descaso maior com a vida do que este, de quem jurou defendê-la?

Esta falta de ética, obviamente não atinge toda uma categoria profissional, que é mais do que essencial, em especial na pandemia, mas precisa ser extirpada. Lamentável o corporativismo dos órgãos de classe, que resolveram não se manifestar diante da situação.

E que o governador aproveite este exemplo para determinar uma varredura em todos os hospitais públicos de sua alçada, assim como os prefeitos devem fazer o mesmo nas unidades que são de sua responsabilidade, exigindo compromisso dos profissionais.

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