Transporte metropolitano

Quando um visitante chega à região pela primeira vez, certamente vai ouvir que “por aqui as coisas são mais difíceis”. Ou que aqui é a terra do “não pode”. Mas quando se analisa a construção do projeto da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo, a sensação que se tem é de que o projeto já teve inúmeras oportunidades de acabar em uma gaveta, mas tem todas as condições de contrariar o ceticismo da população. Venceu a fase de projeto, que é mais crítica. Venceu as intermináveis audiências públicas, uma polêmica na Assembleia Legislativa sobre a autonomia da Suderf – a superintendência que vai gestar o sistema posteriormente – e já recebeu o aval da Câmara de Vereadores da Capital. Hoje ainda depende da tramitação em quatro câmaras de vereadores: São José, Palhoça, Biguaçu e Governador Celso Ramos para chegar à fase de licitação. Uma burocracia que só aumenta o aperto de quem convive com a sobreposição de linhas e a obrigatoriedade de ter que enfrentar o trânsito e trocar de ônibus dentro da Ilha.

Agilidade, nesta fase das Câmaras de vereadores, é fundamental. Só com ela resolvida é que a licitação poderá ser cobrada do Estado. O projeto leva em conta as reais necessidades do usuário e faz projeções futuras, mas se não andar esse ano pode acabar tendo que ser atualizado ou forçar as prefeituras a fazerem licitações – especialmente as que mantém contratos precários enquanto o processo está em andamento.

Quando perguntado, o cidadão sempre diz que o transporte precisa melhorar. Mas ele também tem que fazer a sua parte, que hoje é pressionar e cobrar agilidade do seu vereador, para que ele aprove e permita a licitação o quanto antes. Sem mobilização da sociedade, o ceticismo reinante vai vencer e o que já demorou quatro anos, pode demorar dez para virar realidade. A mobilidade da Capital e da região não suportará um novo prazo.

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