UFSC: 100 dias de inércia

Os 46.225 alunos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) estão sem aulas desde o dia 16 de março. Os professores estão em casa, sem trabalhar e recebendo salários integrais desde o dia 16 de março. Uma situação muito confortável. Quem teve a coragem de pedir pela volta das aulas, foi ameaçado.

O professor de língua portuguesa Antônio Pinho diz ter sido vítima de assédio moral após a publicação de um artigo aqui no ND no qual questionava o porquê de a UFSC não retomar as aulas. São 100 dias de paralisação total na principal instituição de ensino superior do Estado. A universidade alegou que não tem condições de implantar aulas on-line, por diversos motivos, entre eles a incapacidade tecnológica.

Durante esse tempo, o movimento Floripa Sustentável, constituído por 44 entidades representativas do setor produtivo catarinense, em carta fez duras críticas à universidade e chegou a oferecer apoio ao reitor Ubaldo Cesar Balthazar: “Enquanto instituições de ensino superior de todo o país – e maciçamente as particulares – e escolas públicas e privadas rapidamente passaram a funcionar on-line, a UFSC paralisou, sob a alegação de supostos empecilhos”; “Alegar que a ausência de acesso à internet é motivo para não oferecer aulas on-line é uma falácia”; “Onde estão a universidade e seus professores neste momento em que os alunos estão enfrentando o que pode ser a maior crise da vida deles? Este é o papel da universidade na formação de cidadãos”? Para a coordenadora do Floripa Sustentável, Zena Becker, a UFSC parou no tempo. “É inconcebível que apenas feche tudo e espere o tempo passar”, afirmou.

Sem perspectivas de que a universidade iria se movimentar, o MPF (Ministério Público Federal) recomendou, na última terça-feira, que a UFSC adotasse em até 30 dias medidas para a retomada do ensino a todos os alunos matriculados, utilizando-se de recursos que permitam o ensino a distância.

Foi preciso a sociedade se mobilizar, clamar pela retomada das aulas, para que a universidade começasse a pensar a sair da inércia. Mas não será uma volta rápida, infelizmente. Um plano de retomada ainda está sendo discutido na reitoria. Ainda? São 100 dias nesta zona de conforto…

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