Um basta à violência contra as mulheres

O Agosto Lilás, uma importante campanha de conscientização sobre a violência contra a mulher, marca em 2021 os 15 anos da Lei Maria da Penha.

Durante todo o mês de agosto essa campanha visa incentivar a denúncia, ampliar a divulgação e o debate sobre os direitos femininos e apresentar as redes de acolhimento à mulher vítima de violência doméstica.

Desde o início da pandemia, conforme dados recentes de entidades ligadas ao tema, a situação de isolamento social potencializou os casos de violência contra as mulheres em todo o país.

Diante desta nova realidade, a campanha Agosto Lilás é mais uma forma de levar informação às mulheres, como um jeito de ajudá-las a romper o ciclo de violência, e de trazer maior visibilidade sobre o assunto para toda a sociedade.

A violência contra a mulher é uma violação de direitos humanos e um grave problema de saúde pública. Esse ato machista e preconceituoso pode trazer como consequências mortes, lesões, traumas físicos e diversos tipos de agravos mentais e emocionais. Além disso, diminui a qualidade de vida das mulheres e de suas famílias.

Em Santa Catarina, 57 mulheres foram assassinadas em 2020. Média de uma morte a cada seis dias. Durante os 12 meses de 2019, foram 59 vítimas de feminicídio. A maioria dos agressores tem relação afetiva com as vítimas — são namorados, maridos, companheiros. Dentro ou fora de casa, os homens ainda se sentem proprietários das mulheres.

Quinze anos depois da aprovação da Lei Maria da Penha, o país esperava um avanço em torno da cultura da paz, e não o agravamento da violência. Complexo, o tema não pode ser analisado apenas sob o ponto de vista legal, mas discutir o papel do sistema de punição pode ser importante ponto de partida para mudança do cenário.

Com a campanha Agosto Lilás, um dos pressupostos é que não basta a promessa de punição com mais rigor, mas se torna essencial também aumentar a rede de proteção à mulher e combater com intensidade a cultura do agressor.

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