Um dia de tensão

Se tem uma categoria que não fugiu à luta é a dos profissionais da Saúde, e nesta batalha, muitos já ficaram pelo caminho.

Nunca a desburocratização de determinados atos governamentais se faz tão necessária quanto neste momento. Sem dúvida alguma, o Brasil viveu ontem o dia mais tenso deste quase um ano sob o manto da incógnita que se tornou esta pandemia.

O país registrou recorde de mortes, 1.582 pessoas. Todas levadas pela doença desconhecida que para alguns é mesmo só uma gripezinha, mas que vem dizimando lares e roubando a vida de gente de todas as idades, credos religiosos, etnias e afins. Ela não discrimina mesmo ninguém.

Entre erros e acertos, e a falta de uma posição mais dura dos governantes, ontem a população catarinense acordou alarmada diante da informação de que o próprio secretário de Saúde do Estado emitiu alerta assumindo a deterioração do sistema, que está entrando em colapso geral, já que em alguns regiões, em especial no Oeste, já é uma realidade.

Por isso, a decisão de o Ministério da Saúde de anunciar que a partir de agora os leitos de terapia intensiva serão autorizados por tempo indeterminado, não sendo mais necessário o pedido de prorrogação, representa uma segurança a mais para o contribuinte.

Assim como é bem-vinda a informação de que o custeio dos leitos será feito de forma integral pelo Ministério da Saúde por meio de repasses mensais, e não mais com antecipação de verbas.

“A força e gravidade deste momento estão suplantando o resultado das nossas ações… que convoquem toda a força de trabalho da Saúde para o enfrentamento”, apelou o secretário. Se tem uma categoria que não fugiu à luta é a dos profissionais da Saúde, e nesta batalha, muitos já ficaram pelo caminho. E os que continuam estão esgotados.

Ontem, em meio a tantos apelos que beiram ao desespero, como a declaração de que os médicos vão ter que escolher quem vive e quem morre, cenas como a de policiais civis, militares e bombeiros orando e aplaudindo os profissionais da Saúde em frente a hospital de Xanxerê, emocionam. E que estes soldados que estão neste front sejam verdadeiramente valorizados.

Mas, que fique claro, os profissionais da Saúde que estão trabalhando de verdade, que estão arriscando suas vidas ao lidar com infectados, e não aqueles que encastelados em seus consultórios particulares usaram da prerrogativa de serem da Saúde para furarem a fila e garantirem sua dose de vacina sem se preocuparem com a vida alheia.

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