Um FGTS para chamar de seu

A definição do cronograma de saque do FGTS, conforme prometido pelo governo, devolve ao brasileiro a esperança de poder, no futuro, decidir o que fazer com o dinheiro depositado em sua conta. Afinal, trata-se de dinheiro do próprio trabalhador e não cabe ao governo ou a quem quer que seja definir quando e de que forma cada um pode usá-lo.

Mesmo hoje, depois da ampla divulgação que a proposta recebeu, não é difícil encontrar nas ruas alguém convencido de que, ao longo de boa parte da vida, perdeu ao invés de ganhar com o FGTS. O dinheiro poderia ter ajudado a pagar as contas da família, poderia ter sido aplicado de outra forma e ajudado até na educação dos filhos, não apenas na moradia ou como indenização na hora de perder o emprego. Os tempos do Brasil são outros, diferente da época em que o benefício foi criado. Ver o recurso investido em obra pública, como se fosse dinheiro público e numa obra definida por políticos, sempre preocupou e revoltou o brasileiro.

Atualmente há 262 milhões de contas de trabalhadores no FGTS e a liberação dos saques ajudará sobremaneira a aquecer a economia, mesmo como teto limitado à R$ 500,00. O trabalhador poderá saldar, em especial, alguma dívida ou fazer alguma compra. A decisão do governo, embora tenha esse foco de aquecer a economia, mostra uma preocupação em atender essa reivindicação do trabalhador de se sentir de fato dono desse dinheiro sem precisar estar desempregado e mesmo depois de já ter bancado de todo ou em parte um financiamento imobiliário.

O governo Bolsonaro também acerta ao liberar os recursos aos poucos, garantindo que ainda haja um recurso futuro para o trabalhador e preservando programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, que também tem importância não apenas na oferta de moradias, mas na geração de postos de trabalho e na movimentação da construção civil.

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