Uma chance que não deve ser desperdiçada

“Por que em todo o país mais de 1,5 milhão de pessoas que receberam a tão cobiçada primeira dose não retornaram para receberem a segunda e fecharem o ciclo de imunização?”

Desde meados de janeiro deste ano, quando o anúncio de que as primeiros doses de vacina contra a Covid-19 começaram a chegar e a serem distribuídas no país, a palavra esperança foi usada como um símbolo da nova fase que ela representava.

Apesar de todas as opiniões, com base científica ou não, a respeito da doença até então desconhecida e que se abateu sobre milhões de forma avassaladora neste pouco mais de um ano, a vacina é uma espécie de unanimidade.

Ela é resultado de inédito esforço de trabalho e de pesquisa que se criou ao redor do mundo para buscar uma resposta o mais rápido possível para conter o coronavírus. Esforço este que resultou em um recorde na história da humanidade, que foi desenvolver um imunizante em cerca de dez meses.

Denúncias de fura-filas e golpes que cercam a vacinação à parte, o fato é que há um esforço do PNI (Plano Nacional de Imunização) para respeitar prazos e atender aos públicos prioritários traçados.

Então, o questionamento que se faz agora, quase depois de três meses de campanha, é por que em todo o país mais de 1,5 milhão de pessoas que receberam a tão cobiçada primeira dose não retornaram para receberem a segunda e fecharem o ciclo de imunização?

Ainda ontem, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou que a intenção é divulgar uma lista, por Estado, de pessoas que estão com a segunda dose atrasada. E orienta para que não deixem de completar a imunização.

Duas vacinas são aplicadas no Brasil: a da farmacêutica CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e a da farmacêutica AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz.

No caso da Coronavac, estudos apontam melhor eficiência quando a segunda dose é aplicada num intervalo de 21 a 28 dias. Já a AstraZeneca deve ter a segunda dose aplicada em intervalo maior, de três meses.

Os motivos da ausência do público-alvo ainda são desconhecidos e variados. Algumas pessoas podem ter morrido neste período, de Covid ou outra doença; outras podem estar hospitalizadas, algumas viajando ou sem condições de se deslocar.

Mas as equipes de saúde garantem que se informadas sobre a ausência podem fazer agendamentos e visitas a domicílio. O que não pode é simplesmente deixar de tomar a 2ª dose, expondo-se ao vírus e ainda tendo tirado a chance de outro que aguarda ansioso a sua vez de imunizar-se.

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