Uma decisão controvertida

Uma decisão certamente controversa foi tomada pelo governador catarinense, Carlos Moisés, ao anunciar ontem que está liberada a lotação total de hotéis e pousadas a partir do dia 21 deste mês. O argumento oficial é que a medida tem o objetivo de reduzir a hospedagem clandestina em estabelecimentos que não estão sujeitos à fiscalização.

Com Covid ou sem Covid, com decreto de toque de recolher ou não, o fato é que grande parte da população ainda mostra ignorância em relação ao perigo mortal que nos ronda. Até pessoas que já sentiram na própria pele a doença preferem viver como se não houvesse amanhã.

O desrespeito está em todos os lugares. Passageira de ônibus interestadual, que se deslocava no domingo do Rio Grande do Sul para Santa Catarina por motivo de trabalho, relatou que o veículo viajava com lotação máxima, sem álcool gel para os passageiros e ar condicionado insuficiente. E as festas e aglomeros continuam rendendo cenas inacreditáveis e criminosas, e resultando até em assassinato e depredação de hospital, como registrado em Rio Negrinho no fim de semana.

Há muito já ouvimos os argumentos de representantes da rede hoteleira, de que estão adaptando seus protocolos de segurança para receber o público. Eles reclamam da concorrência desleal dos aluguéis particulares e por aplicativo. Assim como os hoteleiros, o setor de eventos é outro que vem sofrendo diante da imprevisibilidade das decisões governamentais, impactando não só nas vidas dos envolvidos, mas na economia.

Apesar da liberação geral, mesmo diante do mapa catarinense pintado em mais de 80% de vermelho, o que significa risco gravíssimo, e dos leitos de UTI praticamente lotados, o governo garante que a saúde dos catarinenses e dos turistas segue como prioridade durante a temporada, tendo como aliados os regramentos sanitários.

Não há dúvida da necessidade de buscar o equilíbrio nesse momento entre a economia do turismo e a saúde de quem está diretamente ligado ao setor, com o fortalecimento da imagem de Santa Catarina como um destino seguro.

Mas precisa plano mais claro e sustentável, pois já está provado que grande parte da população não respeita as regras… já há registro em vídeo de uma hóspede agredindo recepcionista de hotel que pediu que ela usasse máscara… Então, se ao menos aqueles respiradores pagos e não entregues chegassem para garantir a vida desta gente que não quer se proteger e que vai continuar contaminando os outros… será que teríamos um alento?

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