Uma nau sem rumo

“Fazendo um trabalho de formiguinha, profissionais foram convocados para sacrificar suas vidas e seu descanso em meio à pandemia para orientar os desorientados”.

Um ano após o registro do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que comandou a pasta nos meses iniciais da pandemia, vê o País como uma nau sem rumo, o Sistema Único de Saúde destruído e a situação cada vez mais grave. “A cepa mais transmissível anda de Ferrari. Já a campanha de vacinação vai de carroça”, disse.

E ele tem razão. Uma nau sem rumo com pessoas tresloucadas querendo negar o óbvio. Santa Catarina viveu um fim de semana diferente, marcado por determinação governamental de manter o mínimo de circulação nas ruas e com o funcionamento de somente serviços essenciais.

O lockdown teve a chuva como aliada – pelo menos nos municípios em que ela não se tornou um problema com situação de risco, deslizamentos e alagamentos alarmando moradores e trazendo prejuízos -, o que ajudou os mais resistentes a manter distanciamento e ficarem em casa.

Um dos aspectos mais positivos desta situação foi a fiscalização exercida pelo conjunto de forças relacionadas à saúde e segurança pública. Fazendo um verdadeiro trabalho de formiguinha, os profissionais foram convocados para sacrificar suas vidas e seu descanso em meio à pandemia para orientar aqueles desorientados que insistem em desrespeitar todas as orientações e medidas sanitárias vigentes. Insistem em desrespeitar a vida.

Observa-se que apesar dos que insistem em promover eventos que vão além do costumeiro churrasquinho em família do fim de semana, caso daquela festa que foi dispersada no sábado no bairro Saco dos Limões, com mais de 200 pessoas desrespeitando os protocolos, mais do que a ação policial, o envolvimento da população nas denúncias é fundamental.

Embora nem todas as denúncias consigam ser apuradas, ou outras nem sejam confirmadas, os números totais revelados pela Polícia Militar são de mais de 4.700 fiscalizações em todo o Estado, 236 somente na Capital.

Obviamente que todo este esforço concentrado e os recursos despendidos com equipes e deslocamentos poderiam ter sido economizados se a população entendesse que diante de um novo recorde de mortes no país, um toque de recolher tem que ser respeitado.

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