Uma nova realidade

Há quase um ano, o Brasil foi impactado duramente pela chegada do coronavírus. De forma abrupta, governos decidiram fechar estabelecimentos, indústrias, suspender aulas e atividades esportivas e de lazer. A ordem era ficar em casa para impedir a disseminação de um vírus ainda desconhecido e sem vacinação.

Exatamente no dia 17 de março de 2020, o estado de São Paulo registrou a primeira morte por Covid-19 no País e, no mesmo dia, o governo de Santa Catarina publicou decreto com restrições de circulação de pessoas nas ruas e suspensão das aulas nas redes pública e privada e de eventos esportivos por um mês.

Mais tarde, suspendeu, por período menor, a abertura do comércio e o funcionamento de empresas. Tudo isso para segurar a onda de contágio e evitar o colapso do sistema de saúde mais adiante.

Apesar do esforço, a Covid-19 decolou e mais mortes foram registradas. O medo se instalou e as autoridades sanitárias repetiam incansavelmente: se puder, fique em casa; se sair, use máscara, respeite o distanciamento e higienize as mãos. Essas recomendações tornaram-se uma espécie de mantra e muita gente obedeceu.

Mas, como o livre arbítrio faz parte do ser humano, boa parte ignorou as determinações, promoveu festas, incentivou as aglomerações. E todo o trabalho de conscientização feito pela imprensa, pelos órgãos públicos, pelos profissionais da saúde, foi para o ralo, literalmente.

No fim de dezembro, em meio às festas de fim de ano, veio a segunda onda de contágio, muito mais perversa e cruel, e dotada de mutações genéticas que tornam o combate à doença bem mais complicado. Um sopro de esperança surgiu em janeiro, com a chegada da primeira leva de vacinas.

Mas não contávamos com a escassez de vacinas e a falta de planejamento para comprá-las. Erramos todos. Não levamos a doença a sério. Sabemos que a retomada à normalidade talvez não seja mais possível da forma como a conhecemos, mas como reinventar-se faz parte do ser humano, que isso sirva de lição para um novo recomeço, um ano depois, de forma sustentável e que não abale a economia. A humanidade merece.

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