Vacina é passaporte para a liberdade

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga disse ontem que o PNI (Programa Nacional de Imunização) é a esperança de por fim à pandemia de Covid-19 no país.

Assegurou que o país tem capacidade de vacinar até 2,4 milhões de brasileiros por dia. “Até o fim do ano, toda a população brasileira acima de 18 anos será imunizada contra a Covid-19, com as duas doses da vacina. O passaporte para a nossa liberdade”, disse.

A declaração do ministro ocorreu um dia depois de o país ter registrado a trágica marca de meio milhão de pessoas mortas em 16 meses em função da terrível doença respiratória Covid-19.

Queiroga lamentou profundamente todas as 500 mil vidas perdidas – 300 mil delas nos últimos cinco meses – lembrando que este não é um problema exclusivo do Brasil e que para enfrentá-lo a principal ferramenta é o Sistema Único de Saúde.

Protestos em várias cidades brasileiras no fim de semana também foram marcados por manifestações de luto que toma o Brasil e Norte a Sul e lamentos pela lentidão com que o governo federal tratou a aquisição de vacinas como a única solução para livrar-nos do vírus.

Embora a maioria dos brasileiros vítimas da doença ainda seja idosa, pela primeira vez desde o início da pandemia a maior parte de mortes registradas no país não ocorre neste grupo.

Dados tabulados com base no sistema do Ministério da Saúde que registra os casos de Covid mostram que 54,4% dos mortos em junho tinham menos de 60 anos. Em maio, esse índice era de 44,6%. Em todos os meses do ano passado, sempre abaixo dos 30%.

O início da vacinação dos idosos em janeiro ajuda a explicar o fenômeno, mas não é a única razão. Segundo especialistas, o desrespeito a medidas de proteção e a disseminação de novas cepas – potencialmente mais agressivas – podem estar causando maior vitimização de jovens. O alerta vale até para adultos que não têm doenças crônicas.

A proporção de vítimas sem fatores de risco – menores de 60 anos e sem nenhuma doença crônica – mais do que dobrou desde os primeiros meses. E as vergonhosas aglomerações continuam a ser registradas, na maioria por estes jovens que se julgavam intocáveis e hoje estão se transformando em vítimas.

Santa Catarina vem comemorando seus índices de vacinação, que já ultrapassaram os 3 milhões de pessoas com a primeira dose e está em torno dos 10% de imunizados com as duas doses.

Porém, lamentavelmente, cerca de 100 mil pessoas já aptas a tomarem a segunda dose ainda não compareceram aos pontos de vacinação. Se a vacina é nosso passaporte para a vida e a esperança, o que estão esperando para respeitar as medidas sanitárias e garantir esta nova chance?

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